O Papa Leão XIV e a nova arcebispa de Canterbury, Dame Sarah Mullally, encontraram-se pela primeira vez nesta segunda-feira (27) em um encontro simbólico no Vaticano. Os líderes da Igreja Católica e da Igreja da Inglaterra, separadas há séculos, trocaram presentes e rezaram juntos em um gesto de aproximação ecumênica.
Encontro histórico no Vaticano
Mullally, que foi oficialmente instalada como a primeira mulher arcebispa de Canterbury em março, lidera espiritualmente cerca de 85 milhões de anglicanos em todo o mundo. Durante a audiência, o Papa destacou a importância de fortalecer o diálogo e a colaboração entre as duas tradições cristãs. "O mundo precisava dessa mensagem neste momento – obrigada", declarou Mullally. "Isso nos lembrou que, apesar de nossos sofrimentos, as pessoas anseiam por uma vida em toda a sua plenitude, e inúmeras pessoas trabalham todos os dias por essa visão do bem comum."
Leão XIV mencionou que houve avanços na aproximação entre as igrejas, mas lamentou que "novos problemas tenham surgido nas últimas décadas", sem especificá-los, conforme a Reuters. "Não devemos permitir que esses desafios contínuos nos impeçam de aproveitar todas as oportunidades possíveis para proclamar Cristo ao mundo juntos", afirmou o pontífice.
Quem é Sarah Mullally
Sarah Mullally foi instalada como a 106ª arcebispa de Canterbury em 25 de março, na Catedral de Canterbury. Ex-enfermeira, ela tomou assento na cadeira de Santo Agostinho, do século 13, diante de 2 mil convidados, incluindo o príncipe William e sua esposa Kate, o primeiro-ministro Keir Starmer e líderes religiosos. "Ao iniciar meu ministério hoje como arcebispa de Canterbury, digo novamente a Deus: 'Eis-me aqui'", disse à congregação.
Mullally, de 63 anos, reconheceu o sofrimento causado pelas falhas de proteção da Igreja no passado, uma das quais levou seu antecessor, Justin Welby, a renunciar. Ela enfatizou a necessidade de "permanecer comprometida com a verdade, a compaixão, a justiça e a ação". Welby renunciou em novembro de 2024 após críticas por não comunicar à polícia alegações de abuso físico e sexual cometidos por um voluntário em um acampamento de verão ligado à igreja.
Antes da cerimônia, o bispo Philip Mounstephen, que a abençoou durante o culto, disse à Reuters que a chegada de uma mulher a um "antigo cargo... mais antigo que a coroa" era uma ocasião histórica. "Isso sinaliza uma enorme mudança que ocorreu na vida da Igreja", afirmou Mounstephen.
O encontro entre o Papa e a arcebispa reforça o compromisso de ambas as lideranças com o ecumenismo e a busca por unidade entre os cristãos, apesar das diferenças históricas e dos desafios contemporâneos.



