Artesãs eternizam memórias em joias com cabelos e flores no interior de SP
Artesãs criam joias com cabelos e flores em SP

No interior paulista, duas artesãs transformam elementos efêmeros da natureza e fios de cabelo em joias personalizadas, carregadas de significado afetivo. Julyara Grace, de 28 anos, e Eulália Blini, de 74, compartilham com o g1 como transformaram memórias em peças únicas.

Joias que contam histórias

Julyara Grace, formada em pedagogia e apaixonada por trilhas e montanhismo, começou a produzir joias botânicas em janeiro de 2024. Inspirada por suas viagens a campo, ela desejava levar o bem-estar proporcionado pela natureza para outras pessoas. "Gostaria de levar um pouco para as pessoas o bem que a natureza nos proporciona, principalmente na nossa saúde mental", explica.

Entre os pedidos mais marcantes, está um colar encomendado por uma família que queria eternizar a saudade da filha que se mudou para a Noruega. Julyara criou a peça batizada de "árvore da vida": o tronco foi feito com cabelos dos pais e irmãos, representando a família, e a copa, com pétalas de ipê-amarelo, simbolizando o Brasil. Outro caso emocionante foi a eternização de uma rosa após a perda da mãe de uma cliente. "Essa rosa tinha um significado espiritual para ela", relembra a artesã.

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Processo artesanal e valores

As peças são divulgadas nas redes sociais, com preços entre R$ 25 e R$ 180, dependendo do modelo. Os pedidos de eternização são os mais procurados. "Costumo dizer que todos os pedidos são especiais, porque cada um carrega uma história e um propósito", afirma Julyara. Ela destaca que o principal valor do trabalho não é o retorno financeiro, mas "o que cada uma dessas joias desperta nas mulheres que elas encontram".

O processo de fabricação varia conforme a desidratação das flores: algumas levam de cinco a oito dias, enquanto outras, como o girassol, podem demorar até 14 dias. Após a secagem, as flores são preservadas em resina por mais dois a seis dias. Julyara ressalta que não existem peças iguais, pois cada criação é única.

Da terapia ocupacional à profissão

Eulália Blini, bancária aposentada de 74 anos, descobriu no artesanato uma nova carreira. Moradora de Rancharia (SP), ela produz joias com flores e cerâmica plástica. "Nunca fui ligada em plantas nem flores. A ideia surgiu em pesquisas sobre resina para aplicar nos acessórios de polymer clay que produzia", conta.

Hoje, Eulália cultiva um pequeno orquidário em casa. Entre os pedidos inusitados, ela recebeu a solicitação de eternizar um galho bento vindo de Portugal, mas não pôde atender devido ao risco de reação inesperada na preparação. As peças de Eulália custam de R$ 10 a R$ 100, sendo os brincos os mais procurados. "Fico muito grata e com o dever de missão cumprida, pois o que seria uma terapia ocupacional virou uma marca que cresce a cada dia", afirma a artesã.

Eulália conta que a vontade de atuar na área surgiu quando sentiu necessidade de se distrair. Após fazer cursos de cerâmica plástica, encontrou a técnica de resinar flores. "Achei um deslumbre, era isso que eu buscava e eu não sabia. E aqui estou, 'engatinhando' ainda, mas com muita vontade de aprender mais e mais", completa.

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