Salão Brasiliense de Cutelaria reúne artesãos de todo o país em Brasília
Neste fim de semana, sábado (18) e domingo (19), Brasília se transforma no epicentro da cutelaria brasileira com a realização do Salão Brasiliense de Cutelaria. O evento acontece no CTG Estância Gaúcha do Planalto, localizado no Setor Hípico Sul, e atrai artesãos de todas as regiões do Brasil, consolidando-se como a maior reunião de artistas cuteleiros do Centro-Oeste.
A arte de transformar aço em obras funcionais e estéticas
A cutelaria, definida como a arte e técnica de fabricar instrumentos de corte como facas, canivetes, espadas e machados, tem como objetivo principal valorizar três pilares fundamentais:
- Funcionalidade: Garantir que cada peça seja eficiente em seu uso.
- Durabilidade: Assegurar que os instrumentos resistam ao tempo e ao desgaste.
- Estética: Incorporar beleza e design único em cada criação.
Milton Hoffman, um dos organizadores do evento que ocorre desde 2017, destaca que Brasília se tornou um polo de formação de cuteleiros, graças ao curso de extensão oferecido pela Universidade de Brasília (UnB). Essa iniciativa educacional tem sido crucial para fomentar a prática e a profissionalização da cutelaria na região.
Programação e acesso ao evento
Os visitantes podem esperar uma programação rica e diversificada, que inclui:
- Demonstrações de forja, onde os artesãos mostram ao vivo o processo de transformação do aço.
- Palestras com especialistas, abordando técnicas avançadas e tendências do setor.
- Expositores apresentando uma variedade de peças únicas e personalizadas.
O ingresso para o evento custa R$ 20 por dia, oferecendo uma oportunidade acessível para o público apreciar e aprender sobre essa arte tradicional.
Histórias de sucesso e premiações
Entre os participantes, destacam-se cuteleiros que transformaram a paixão pela cutelaria em uma profissão de sucesso. Bruno Cavaledo, natural de Coxim (MS), exerce a cutelaria há 19 anos e decidiu deixar o serviço público federal para se dedicar integralmente à arte, uma tradição familiar que remonta ao seu bisavô. Neste ano, Bruno foi premiado com o título de melhor canivete, somando-se a outras três premiações que já coleciona em sua carreira.
Outro exemplo é Alexandro da Silva Filho, especialista em brut de forge, uma técnica que confere às facas uma forma mais orgânica, com menos detalhes no aço durante a forja. Com uma década de experiência, Alexandro define sua atividade como um equilíbrio entre trabalho e arte: "É trabalho porque me traz lucro e arte porque consigo colocar beleza no aço".
Vindo de Sombrio, em Santa Catarina, Jader Hoff trabalha com cutelaria há cinco anos e conquistou dois prêmios no salão deste ano:
- Melhor lâmina com coloração: Técnica que cria desenhos únicos na lâmina.
- Melhor lâmina em aço damasco: Reconhecimento pela qualidade e beleza do material.
Essas histórias ilustram não apenas o talento individual, mas também a diversidade de técnicas e estilos presentes no evento, desde a precisão de Jader Hoff até a abordagem orgânica de Alexandro.
Impacto cultural e econômico da cutelaria
O Salão Brasiliense de Cutelaria vai além de uma simples exposição; ele representa um movimento de valorização do artesanato brasileiro, promovendo o intercâmbio de conhecimentos e o fortalecimento de uma comunidade dedicada à excelência. A cutelaria, como profissão, tem se mostrado uma alternativa viável e gratificante para muitos artesãos, combinando tradição familiar com inovação técnica.
Com a crescente demanda por produtos artesanais e únicos, eventos como este desempenham um papel crucial na preservação e evolução dessa arte milenar, garantindo que as futuras gerações continuem a apreciar e praticar a cutelaria no Brasil.



