Alice Caymmi lança o álbum 'Caymmi' com releituras de 12 músicas do compositor Dorival Caymmi
Com a voz grave, tão doce e profunda quanto o mar que ele decantou em canções praieiras, Dorival Caymmi (1914-2008) gravou o próprio cancioneiro de forma lapidar. Agora, sua neta Alice Caymmi segue trilho individual em 'Caymmi', álbum lançado em 30 de abril, dia do 112º aniversário do avô.
Uma nova perspectiva sobre a obra de Dorival
Filha de Dorival, Nana Caymmi (1941-2025) encontrou seu caminho com a voz que abarcava todos os sentimentos. Alice também busca sua identidade, com produção musical de Iuri Rio Branco, que imerge o disco nas águas da latinidade vintage. O som é contemporâneo, mas foge do reggaeton atual, como mostram a salsa em 'Canção da partida' (1957) e o calypso em 'Maracangalha' (1956).
Influências jamaicanas e baianas
O álbum também mergulha em águas jamaicanas. O reggae banha 'Modinha para Gabriela' (1975) e 'O que é que a baiana tem?' (1939), construindo uma ponte Bahia-Jamaica. 'Dois de fevereiro' (1957) ganha toque de ijexá, enquanto 'Canto de Obá' (1972) evoca a ancestralidade. A única faixa que não se beneficia é 'Acalanto' (1957), que perde o sentido de ninar.
Talento vocal e frescor musical
'Dora' (1945) destaca a fartura vocal de Alice, descendente da linhagem de Nana. 'Adeus' (1948) ganha atmosfera trip-hop, e 'O bem do mar' (1954) exibe agudos impressionantes. Com músicos como Doug Bone e Theo Silva, o álbum evita soar modernoso. 'Eu não tenho onde morar' (1960) é revitalizado com reggae praieiro e dub, em sintonia com os versos. Alice honra a dinastia sem ranços, propondo um olhar fresco sobre a obra do avô.



