Grupo Galpão celebra 12ª participação no Festival de Curitiba com espetáculo premiado
Grupo Galpão marca 12ª participação no Festival de Curitiba

Grupo Galpão celebra 12ª participação no Festival de Curitiba com espetáculo premiado

A 34ª edição do Festival de Curitiba teve como um de seus principais motes celebrar o teatro como uma arte essencialmente coletiva. Nesse contexto, o Grupo Galpão se destacou como uma das dez companhias convidadas para compor a programação deste ano, representando um exemplo notável de resiliência, reinvenção e força de permanência no cenário cultural brasileiro.

Uma relação histórica que se fortalece

A história do Grupo Galpão e do Festival de Curitiba se entrelaça há décadas, ajudando a explicar tanto a trajetória da companhia mineira quanto a própria consolidação do evento como um dos principais palcos das artes cênicas no país. Em 2026, o grupo chega à sua 12ª participação no festival, demonstrando um vínculo que se mantém forte ao longo do tempo.

"A gente tem uma relação muito profunda e muito antiga com o festival", afirma o ator Eduardo Moreira, um dos fundadores do grupo. "Num momento em que ainda não tínhamos tanta projeção, o Festival de Curitiba ajudou muito a dar visibilidade ao nosso trabalho."

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Essa conexão começou ainda nos primeiros anos da companhia, fundada em 1982, em Belo Horizonte. Antes de alcançar reconhecimento nacional, o grupo já ocupava as ruas da capital paranaense com montagens como "A Comédia da Esposa Muda" e "Corra Enquanto é Tempo". Com o passar dos anos, o vínculo se fortaleceu ainda mais.

O sucesso que ampliou horizontes

O espetáculo "Romeu e Julieta", nos anos 1990, marcou um ponto crucial na trajetória da companhia, ampliando significativamente sua projeção nacional a partir de apresentações no Festival de Curitiba. Essa produção se tornou um marco que ajudou a consolidar o grupo no cenário teatral brasileiro.

"O festival nos permitiu apresentar praticamente toda a nossa obra ao público de Curitiba", lembra Moreira. "É uma relação de troca muito forte que se mantém até hoje."

Teatro como construção coletiva

Reconhecido por sua linguagem que mistura o popular e o erudito, o Grupo Galpão construiu sua identidade a partir do trabalho coletivo e da experimentação constante. Ao longo de mais de quatro décadas, a companhia não seguiu fórmulas rígidas, mas foi se reinventando em diálogo com diferentes diretores e estéticas.

"A gente não planejou, foi um caminho muito intuitivo, construído na prática", conta Moreira. "Mas sempre existiu o desejo de continuidade, de fazer um teatro que fosse também um espaço de reflexão."

Com diferentes diretores convidados e processos colaborativos, o Galpão construiu uma trajetória que combina:

  • Diversidade estética
  • Reflexão constante sobre o papel do teatro
  • Forte comunicação com o público
  • Transição entre teatro de rua e palco
  • Diálogo entre o clássico e o contemporâneo

Um clássico que dialoga com o presente

Na edição deste ano, o grupo apresentou na Mostra Lucia Camargo o premiado espetáculo "(Um) Ensaio Sobre a Cegueira", uma adaptação do romance de José Saramago que propõe reflexões profundas sobre o mundo contemporâneo. Dirigido por Rodrigo Portella, vencedor do Shell 2026 de Melhor Direção, o universo distópico criado por Saramago ganha novas camadas de significado no palco.

"A obra se tornou ainda mais atual", afirma Moreira. "As ameaças à democracia, as tensões sociais, tudo isso aparece de forma muito forte na peça."

A montagem explora os limites entre civilização e barbárie a partir de uma situação extrema: uma epidemia que leva personagens ao colapso das regras de convivência. No palco, a narrativa se transforma em reflexão urgente sobre o presente.

"São limites muito frágeis", diz o ator. "Quando as estruturas se rompem, aquilo que a gente entende como civilização pode se desfazer rapidamente."

Entre memória e continuidade

A participação deste ano também marca a primeira vez que o grupo retorna ao festival sem a atriz Teuda Bara, uma de suas fundadoras. Homenageada pela organização, que dá seu nome à sala de imprensa do evento, ela permanece como referência fundamental na história da companhia.

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"Teuda faz muita falta, ela encarnava o espírito de festa, de alegria e de despudoramento do teatro, mas seguimos em frente com tudo o que ela representa", resume Moreira.

Entre passado e presente, o reencontro com Curitiba reafirma o lugar do Festival na trajetória do Grupo Galpão, não apenas como palco de apresentações, mas como parte ativa de uma história construída ao longo de mais de 40 anos de dedicação ao teatro brasileiro. A relação simbiótica entre companhia e festival continua a florescer, demonstrando a vitalidade das artes cênicas no país.