Ex-jogador do Corinthians leva história pessoal ao palco do Festival de Curitiba
O ex-atacante e comentarista esportivo Walter Casagrande Jr. fará sua estreia no teatro com o monólogo autobiográfico "Na Marca do Pênalti", que integra a programação da 34ª edição do Festival de Curitiba. As apresentações estão marcadas para os dias 3 e 4 de abril, sempre às 20h30, no tradicional palco do Teatro Guairão, localizado no centro da capital paranaense.
Uma partida de futebol em dois tempos
O espetáculo foi estruturado em dois tempos de 45 minutos cada, em clara referência a uma partida de futebol. A dramaturgia é assinada pelo próprio Casagrande em parceria com André Acioli e Fernando Philbert, que também assume a direção da montagem. A característica mais marcante da produção é a ausência de roteiro fixo, com a apresentação sendo guiada pela memória e espontaneidade do ex-jogador.
"Eu subo no palco para falar a verdade da minha vida. Não preciso de roteiro, porque tudo está na minha cabeça", afirma Casagrande, que destaca o caráter terapêutico da experiência. "É como se fosse uma terapia em grupo porque conto a minha história com o coração aberto, como já fiz mil vezes no meu tratamento e em entrevistas."
Da Democracia Corinthiana à dependência química
Ídolo do Sport Club Corinthians Paulista e um dos rostos da histórica Democracia Corinthiana – movimento que marcou o futebol e o cenário político brasileiro nos anos 1980 – Casagrande revisita momentos cruciais de sua trajetória. O monólogo aborda desde as glórias esportivas até períodos difíceis de dependência química e o processo subsequente de recuperação.
O título da peça faz referência às decisões importantes da vida. "Todos nós ficamos várias vezes na marca do pênalti. Nem sempre a decisão muda tudo, mas existem momentos que são decisivos", explica o ex-atacante. Ele revela que o "pênalti" mais difícil foi aceitar o tratamento para dependência química: "Era um pênalti que eu não poderia marcar o gol e nem ir para fora, porque o goleiro era o meu psiquiatra e ele teria que pegar o meu pênalti."
Espontaneidade e interação com o público
Sem texto decorado e com interação direta com o público, cada apresentação tende a ser única. "Eu começo contando a minha história, mas depois de um tempo ela vira a história de todo mundo ali", afirma Casagrande. A ideia do monólogo surgiu após um encontro com o diretor Fernando Philbert, que propôs a transformação de sua trajetória em narrativa teatral.
"A única condição que coloquei foi: não ter um texto e que o roteiro seria feito, na hora, como iria passar na minha cabeça", conta o ex-jogador. "Não sou ator e nem me considero um personagem. Sou uma pessoa comum e a minha história é igual à das pessoas."
Reflexão sobre guerras pessoais
Para Casagrande, a apresentação representa um convite à reflexão sobre escolhas e valores. "Eu continuo com a mesma rebeldia, mas aprendi que nem toda guerra vale a pena", diz. Questionado sobre quais conflitos realmente merecem ser travados, ele responde: "As guerras que valem a pena são aquelas que travamos por princípios, valores, conceitos e por filosofia de vida. As únicas guerras que valem a pena são as suas próprias."
O ex-atacante também compartilha momentos emocionantes da montagem, destacando especialmente quando fala sobre sua família: "O que mais me emociona é quando falo da minha família: do alcoolismo do meu pai, da morte precoce da minha irmã e da forma incrível que fui educado."
Serviço completo
Espetáculo: Na Marca do Pênalti - Mostra Lucia Camargo
34º Festival de Curitiba: 30 de março a 12 de abril
Datas da apresentação: 3 e 4 de abril
Horário: 20h30
Local: Guairão (Rua Conselheiro Laurindo, 175 – Centro)
Classificação: 14 anos
Duração: 80 minutos
Valores: de R$ 0 a R$ 85 (mais taxas administrativas)
Ingressos: www.festivaldecuritiba.com.br e na bilheteria física exclusiva no Shopping Mueller



