Plano com novos estudos e financiamento pode corrigir prédios tortos em Santos
Plano pode corrigir prédios tortos em Santos com financiamento

Plano com novos estudos e financiamento pode corrigir prédios tortos em Santos

Os prédios tortos de Santos, no litoral de São Paulo, se tornaram quase pontos turísticos da orla, mas o cenário pode se tornar preocupante no futuro. Por isso, um modelo de financiamento para as obras de reaprumo, que ocorreria de forma inédita, ainda está sendo estudado e pode mudar a vida de centenas de moradores dos edifícios inclinados. Atualmente, eles vivem sob variadas inclinações e estão acostumados com pequenas adaptações no dia a dia.

Desafios da manutenção em edifícios inclinados

A manutenção nos edifícios tortos exige atenção e cuidado constantes. Para manter um prédio inclinado, há muitos gastos, como troca de coluna frequentemente, porque a estrutura se move, afirmou a presidente da Associação dos Condomínios dos Prédios Inclinados (ACOPI), Eliana de Mello, que também é síndica de um dos prédios na orla de Santos. De acordo com ela, um engenheiro responsável precisa autorizar qualquer obra, exceto pintura, realizada no prédio, pois os edifícios devem emitir laudos comprovando que não há risco estrutural.

Segundo Eliana, a manutenção dos elevadores de um prédio com duas torres custa aproximadamente R$ 13 mil mensais. Não é fácil administrar um prédio inclinado, porque os custos são muito altos, destacou. Apesar disso, os problemas não interferem significativamente na vida dos moradores, que estão acostumados com serviços nos prédios. Os síndicos se conscientizaram que têm que fazer muita manutenção para não deixar deteriorar e acabar a vida útil mais rápida do prédio, relatou.

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Rotina adaptada e percepções dos moradores

Anteriormente, outras moradoras de edifícios tortos relataram que as rotinas são normais, com pequenas adaptações. A gente se acostuma, né? Só tem um pouco de inclinação, as portas fecham sozinhas e a bolinha sai rolando, disse Maria Inês Chedid. Ela também mencionou que já sofreu com tontura na saída do elevador, mas o corpo rapidamente se acostuma, e há quem nem perceba a inclinação de dentro do edifício.

Perigo a longo prazo e necessidade de reaprumo

Atualmente, os 319 prédios inclinados em Santos não correm risco estrutural imediato, conforme laudos técnicos emitidos a cada dois anos pela prefeitura. No entanto, a inclinação dos edifícios pode ocasionar problemas no futuro, tornando o reaprumo essencial. Um prédio não foi feito para ficar inclinado. O prédio deve ser feito para ficar sempre no prumo, afirmou o engenheiro Paulo Pimenta. Ele explicou que, à medida que a inclinação aumenta, surgem esforços novos na estrutura para a qual ela não foi projetada, podendo levar ao risco de ruína.

Busca por soluções e financiamento inédito

A busca por uma proposta para corrigir a inclinação dos prédios une a Prefeitura de Santos e a ACOPI. No fim de março, uma reunião no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentou a sugestão de criar uma nova modalidade de financiamento para as obras de reaprumo. A ideia é que o banco permita, por meio de financiamento, que o dinheiro chegue aos moradores, com a Prefeitura de Santos atuando como terceiro garantidor junto ao BNDES.

Um exemplo de sucesso é o edifício Núncio Malzoni, que tinha inclinação de 2,2° em um bloco e 1,8° em outro, e foi corrigido nos anos 2000. A obra, custeada com recursos próprios dos moradores, envolveu erguer o prédio e alinhá-lo com macacos hidráulicos, apoiando os pilares e executando uma nova fundação. Paulo Pimenta, que participou desse processo, foi recentemente contratado para elaborar novos estudos em outros quatro prédios na orla.

Com 65 prédios tortos concentrados na região da orla, a iniciativa representa um passo crucial para garantir segurança e sustentabilidade a longo prazo, aliviando os custos elevados de manutenção e prevenindo potenciais desastres estruturais.

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