Morte de síndica histórica do Edifício JK de Niemeyer em BH acirra disputa judicial no condomínio
Maria Lima das Graças, de 78 anos, que atuou como síndica do icônico Edifício JK, projetado por Oscar Niemeyer em Belo Horizonte, por mais de quatro décadas, faleceu nesta sexta-feira, 14 de fevereiro de 2025. A informação sobre seu óbito foi divulgada publicamente pelas redes sociais de familiares, confirmando o fim de uma era na administração do patrimônio cultural.
Saúde debilitada e afastamento permanente do cargo
Em agosto de 2025, Maria Lima foi internada no Hospital Felício Rocho, localizado no bairro Barro Preto, na Região Centro-Sul da capital mineira. Devido às condições de saúde precárias, que a impediam de retomar suas funções, ela foi afastada de forma definitiva do cargo de síndica em novembro do mesmo ano. Conforme estabelece o regimento interno do prédio, o substituto imediato em casos de ausência da síndica é o subsíndico.
Nas eleições condominiais realizadas em 2024, que resultaram na reeleição de Maria das Graças, o escolhido para a posição de subsíndico foi Caio Rômulo Delgado de Lima, irmão da titular. A longa permanência de Maria Lima à frente do condomínio, totalizando aproximadamente quarenta anos, a transformou em uma figura central na história recente do edifício, acompanhando diversas fases, incluindo o processo de tombamento como patrimônio cultural.
Disputas judiciais e questionamentos sobre a gestão
A saída definitiva de Maria Lima do cargo ocorreu em meio a intensas disputas judiciais e a questionamentos de moradores acerca da gestão do condomínio. Em 2024, o Ministério Público apresentou denúncias relacionadas à conservação do Edifício JK, apontando problemas estruturais significativos e a falta de documentos obrigatórios, como o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros (AVCB).
Eleições contestadas e alegações de irregularidades
Em 2021, moradores do condomínio tentaram anular na Justiça a assembleia que reelegeu Maria Lima das Graças. A tradutora Julieta Boedo, que concorreu naquela eleição, afirmou que a síndica teria exigido uma caução de R$ 4 milhões para permitir a participação da chapa opositora, gerando grande contestação entre os condôminos. Na época, a defesa de Maria Lima negou veementemente qualquer falta de transparência nas eleições e argumentou que os moradores não possuíam competência suficiente para formar uma chapa contrária à da síndica.
Com o falecimento de Maria Lima, a situação jurídica e administrativa do Edifício JK permanece incerta, potencialmente intensificando os conflitos existentes e levantando novas questões sobre o futuro da gestão deste marco arquitetônico de Belo Horizonte.
