Prefeitura de Cuiabá adia demolição de casarão histórico ameaçado de desabamento
A Prefeitura de Cuiabá anunciou, nesta terça-feira (17), uma mudança de planos significativa em relação ao casarão histórico localizado na Rua 7 de Setembro, no Centro Histórico da capital mato-grossense. A demolição controlada da fachada do imóvel, que abrigou parte da antiga Gráfica do Pepe, foi oficialmente adiada. Em vez disso, a gestão municipal assumiu a responsabilidade pela preservação da estrutura, considerada um patrimônio cultural de grande importância para a cidade.
Decisão visa preservar memória e patrimônio cultural
Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Obras explicou que a decisão atende à necessidade urgente de preservar a memória e o patrimônio cultural de Cuiabá. A proposta inicial, que previa uma demolição controlada seguindo orientações do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), foi revista após a equipe técnica encontrar uma alternativa viável para manter a fachada em pé, mesmo diante do risco iminente de colapso.
O secretário municipal de Planejamento e Desenvolvimento Urbano, José Afonso Botura Portocarrero, destacou a urgência da intervenção, especialmente devido às chuvas intensas que têm castigado a região e podem agravar os danos à estrutura já fragilizada. "Trata-se de uma ação delicada, que exige precisão técnica para garantir a segurança sem comprometer o que resta do imóvel", afirmou o secretário, ressaltando que a prefeitura está mobilizada para agir rapidamente.
Iphan oferece apoio técnico e celeridade na emergência
A Superintendente do Iphan em Mato Grosso, Ana Joaquina da Cruz Oliveira, confirmou que o instituto está prestando apoio técnico institucional no caso. "Foi enviado um profissional que verificou a possibilidade de realizar uma medida de escoramento. Existe viabilidade técnica, mas a proposta ainda será enviada para avaliação formal", explicou. No entanto, devido ao caráter emergencial da situação, as obras devem começar o quanto antes. O papel do Iphan, segundo ela, não é analisar minuciosamente a intervenção, mas atuar com celeridade diante de um risco iminente à segurança pública e ao patrimônio.
O casarão em questão, construído no século XIX, é reconhecido como a primeira gráfica e papelaria da cidade, carregando um peso histórico e cultural inestimável. Atualmente, apenas a fachada permanece de pé, transformando-se em um símbolo da memória do Centro Histórico de Cuiabá. A determinação judicial que notificou a prefeitura a demolir a estrutura, emitida neste mês de março após vistorias técnicas apontarem risco de desabamento, agora é revista em prol da preservação.
Ações complementares e preservação da memória
Além da decisão sobre a fachada, a prefeitura informou que a placa da Praça da Mandioca, recolocada recentemente por um morador da região, será retirada e encaminhada ao Museu da Imagem e do Som de Cuiabá (Misc) para preservação adequada. Essa medida complementa os esforços de salvaguarda do patrimônio histórico local, demonstrando um compromisso mais amplo com a memória coletiva da cidade.
A situação do casarão da Gráfica Pepe ilustra os desafios constantes na gestão de patrimônios históricos em áreas urbanas centrais, onde a deterioração natural e fatores climáticos exigem intervenções rápidas e tecnicamente complexas. A opção pelo escoramento, em vez da demolição, representa uma vitória para os defensores do patrimônio cultural, mas impõe uma corrida contra o tempo para evitar um desastre.
Com a nova diretriz, a Prefeitura de Cuiabá e o Iphan buscam equilibrar a segurança pública com a preservação histórica, em um caso que tem mobilizado a atenção de moradores, historiadores e autoridades. Os próximos dias serão cruciais para a implementação das medidas de escoramento, que definirão o futuro deste ícone arquitetônico do século XIX.



