Bombeiros de MT buscam R$ 400 mil para trazer réplica de primeiro caminhão
Bombeiros de MT buscam R$ 400 mil para trazer réplica

O Corpo de Bombeiros de Mato Grosso iniciou uma campanha para arrecadar R$ 400 mil, com o objetivo de importar uma réplica do primeiro caminhão utilizado pela corporação, no ano de 1965. De acordo com os bombeiros, o veículo foi comprado em 2022, em um leilão realizado nos Estados Unidos, mas até o momento não foi transportado para Mato Grosso devido aos elevados custos logísticos.

Detalhes da campanha

Segundo a Fundação de Apoio ao Corpo de Bombeiros (Funabom), após aproximadamente 10 anos de buscas por um modelo com as mesmas características, a corporação localizou a réplica, um Ford BigJob 1954. O veículo foi adquirido também por R$ 400 mil, após arrecadação entre os próprios militares.

Origem histórica

O coronel Paulo Correia, representante da campanha, explicou que o caminhão original chegou a Cuiabá em 1964, após solicitação do então prefeito Vicente Vuolo ao governador de São Paulo, Ademar de Barros. O veículo foi doado pelo Corpo de Bombeiros paulista e marcou o início das atividades de combate a incêndio em Mato Grosso. “Antes não existia serviço de bombeiros no estado. O primeiro atendimento foi implantado pelo tenente Hamilton Corrêa, junto com 41 militares, em 19 de agosto de 1965”, contou.

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Características do veículo

O coronel informou que o Ford Big Job F-800 tinha capacidade para transportar 4 mil litros de água e contava com uma bomba acoplada ao motor, que pressurizava o líquido a pelo menos 10 metros de distância. Apenas dois ou três bombeiros viajavam na cabine, enquanto os demais seguiam na carroceria, muitas vezes expostos ao sol e à chuva. “Hoje, os modelos seguem a mesma estrutura, mas com tecnologia avançada, podendo alcançar até 109 metros de altura com plataformas modernas. A principal diferença é o conforto. Hoje os bombeiros vão protegidos dentro da cabine”, disse.

Resgate da memória

De acordo com Paulo, o caminhão foi arrematado em apenas 48 horas em um leilão da prefeitura de Shawnee, no Kansas, com apoio de mais de 50 pessoas e empresas. Agora, a campanha busca recursos para pagar impostos, transporte do veículo do porto de Jacksonville (EUA) até Cuiabá e a construção de um espaço temporário de memória, até que o Centro definitivo fique pronto. “Avisei os colegas da instituição e parceiros sobre o leilão, juntamos e enviaram o dinheiro para mim na época e arrematei o veículo pelo meu CPF. O passo agora é a importação e construção de uma estrutura para ela”, relatou.

O grupo informou que não solicitou apoio a órgãos públicos, porque não consegue repassar despesas vinculadas ao Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) para o estado. Já a Funabom não conseguiu captar recursos pelo banco de projetos do Ministério Público, uma vez que ainda não completou três anos de existência. Para o coronel, trazer o veículo representa preservar a história da corporação e materializar aquilo que deu origem ao Corpo de Bombeiros. “Um povo sem história é um povo sem memória. Queremos que as futuras gerações conheçam nossas raízes. A campanha tem objetivo permitir que toda a sociedade cuiabana faça parte do resgate da história”, afirmou.

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