Turistas capturam peixe gigante proibido pela terceira vez no Rio Araguaia
Paulo Tavares e Lorane Mendes, um casal de turistas, fisgaram um peixe piraíba de impressionantes 1,80 metro de comprimento pela terceira vez enquanto preparavam o almoço durante uma viagem de pesca no Rio Araguaia, na região de Aruanã, em Goiás. O momento inusitado interrompeu o preparo da refeição, mas não impediu que o casal finalmente almoçasse após a captura.
Almoço interrompido por peixe gigante
Os turistas relataram que estavam cozinhando quando o peixe foi fisgado, causando uma confusão divertida. "O arroz chegou a ser derrubado, mas depois deu tempo de terminar e almoçar", disseram. Paulo brincou que previam a aparição do peixe: "Nós estávamos até brincando que ontem ela ia sair enquanto fazia o almoço, e não deu outra. Enquanto o rapaz estava fazendo o arroz, tinha acabado de fritar o peixe, ela entrou. E aí virou aquela confusão boa".
Histórico de capturas e desafios da pesca
O casal começou a pescaria na segunda-feira (13) e planejava continuar até quinta-feira (16). Eles já haviam fisgado outros piraíbas em viagens anteriores, com variações no tamanho e peso. Em 2024, capturaram um peixe maior em comprimento, porém mais leve, enquanto no ano passado, o peixe era menor, mas o mais pesado entre os três. Para pescar um animal desse porte, é necessária coordenação e experiência. Na ocasião, uma equipe trabalhou por 40 minutos para vencer o peixe. "Sem eles não tem a menor condição de tirar um peixe desse. Você precisa estar no lugar certo, com a linha posicionada corretamente e com o controle do barco", explicou Paulo.
Tradição de pesca e relacionamento
Os turistas se conheceram pescando no Rio Araguaia há cerca de cinco anos e desde então voltam regularmente à região para reviver o momento. "Foi nossa primeira viagem juntos. Desde então, nunca mais paramos de pescar", contou Lorane. Essa tradição reforça o vínculo do casal com a atividade pesqueira.
Proibição de consumo e importância ecológica
O peixe piraíba de 1,8 metro não pode ser consumido devido à Lei Estadual n. 13.025/1997, que lista a espécie como "espécie em defeso", proibindo sua pesca predatória em todo o estado de Goiás. Segundo Fabrício Teresa, professor e pesquisador da Universidade Estadual de Goiás (UEG), o piraíba é um predador de topo de cadeia alimentar com ciclo de vida longo, tornando-o vulnerável a declínios populacionais. "Ele tem ciclo de vida longo, o que a torna vulnerável a declínios populacionais. Ao mesmo tempo, é muito visada para o consumo e pela pesca predatória", explicou.
Impacto econômico e conservação
A proibição ajuda a proteger a população do piraíba e a manter a atividade econômica da pesca esportiva, que movimenta a economia de cidades no vale do Araguaia. "Atualmente, é a principal espécie alvo da pesca esportiva, que movimenta a economia de diversas cidades no vale do Araguaia. Então, sua proteção implica também na sustentabilidade dessa atividade que é importante para a economia da região", disse Fabrício. A espécie também é protegida no Mato Grosso, reforçando os esforços de conservação.



