Peixes realizam escalada épica de 15 metros em cachoeira congolesa
Um fenômeno extraordinário da natureza foi documentado pela primeira vez em vídeo na República Democrática do Congo: pequenos peixes da espécie Parakneria thysi escalando uma parede vertical de 15 metros nas Quedas de Luvilombo. A façanha, que pode durar quase dez horas, revela capacidades animais até então desconhecidas pela ciência.
Uma jornada contra a correnteza
Milhares de peixes com menos de cinco centímetros de comprimento enfrentam a poderosa correnteza das cachoeiras em uma verdadeira maratona aquática. Os animais utilizam movimentos ondulatórios laterais da parte traseira do corpo para se impulsionarem enquanto suas nadadeiras peitorais e pélvicas - equipadas com projeções em forma de gancho - se agarram à superfície rochosa.
O registro científico, publicado na revista Scientific Reports, mostra que um único peixe pode levar aproximadamente nove horas e 45 minutos para completar a subida. Esta jornada é composta por:
- 15 minutos de movimentação ativa
- 30 minutos de pausas curtas
- Nove intervalos mais longos de cerca de uma hora cada
Observações detalhadas durante anos
Os pesquisadores monitoraram o comportamento dos peixes em quatro ocasiões distintas entre 2018 e 2020, concentrando suas observações no final da estação chuvosa (abril e maio) e em anos com precipitações particularmente abundantes. Os espécimes estudados mediam entre 37 e 48 milímetros de comprimento.
Apesar da impressionante determinação, os peixes não estão imunes aos perigos da escalada. Jatos mais fortes de água podem arremessá-los para baixo, especialmente quando se encontram em posições invertidas durante trechos particularmente desafiadores da subida.
Motivações para a arriscada jornada
Os cientistas propõem duas hipóteses principais para explicar este comportamento extraordinário:
- Recuperação de habitat: Os peixes podem estar retornando rio acima após terem sido arrastados pela correnteza durante as fortes chuvas sazonais.
- Busca por melhores condições: A migração pode representar uma busca por áreas com menor competição por alimentos e menos predadores, como o bagre-manteiga africano (Schilbe intermedius).
Ameaças à biodiversidade única
Além dos desafios naturais, os pequenos escaladores enfrentam perigos criados pelo homem. Pescadores utilizam redes de mosquitos ilegais para capturá-los, enquanto projetos de desvio de água para irrigação de plantações durante a estação seca ameaçam alterar permanentemente o curso do rio Luvilombo.
Os autores do estudo alertam que a biodiversidade única deste ecossistema está sob risco significativo, destacando a importância de medidas de conservação para proteger este espetáculo natural extraordinário que apenas agora começamos a compreender.



