Onça-pintada é atropelada e morre na BR-262, rodovia crítica no Pantanal de Mato Grosso do Sul
Uma onça-pintada, espécie emblemática da fauna brasileira, faleceu após ser atropelada na BR-262, no sábado (18), em um trecho do Pantanal entre os municípios de Miranda e Corumbá, em Mato Grosso do Sul. A rodovia, que liga Campo Grande à região pantaneira, é amplamente conhecida pelo elevado número de atropelamentos de animais silvestres, configurando-se como um ponto crítico para a conservação da biodiversidade local.
Biológico denuncia falta de infraestrutura e soluções já existentes
O caso foi divulgado pelo biólogo Gustavo Figueirôa, que publicou um vídeo mostrando o animal ainda com vida, se arrastando dolorosamente no asfalto logo após o acidente. Ao comentar o ocorrido, Figueirôa lembrou com indignação do projeto de lei 466 de 2015, que prevê a criação de passagens de fauna, cercas em pontos críticos e monitoramento nas rodovias do país. “Quanto tempo a gente ainda vai assistir isso acontecer sabendo que já tem solução pra isso? Não é tecnologia nova, não é ciência experimental, é infraestrutura que já existe e funciona”, afirmou o especialista, destacando a urgência de medidas concretas.
Atendimento emergencial e coleta de material genético para preservação
A Rede de Proteção e Conservação da Onça-Pintada (Reprocon) esteve no local junto com a Polícia Militar Ambiental (PMA) para realizar o atendimento. As equipes coletaram material biológico do animal, como fragmentos de pele, com o objetivo de preservar a genética no biobanco da rede, uma iniciativa crucial para estudos futuros e conservação da espécie.
Segundo a PMA, a ocorrência foi informada por um motorista que avistou o animal às margens da rodovia e suspeitou de atropelamento. No local, com apoio de um médico veterinário da Reprocon, o animal já foi encontrado sem vida, apresentando sinais claros de atropelamento. O corpo foi retirado para procedimentos técnicos, incluindo avaliação e registro por equipe especializada.
Trecho perigoso e orientações para motoristas no Pantanal
A corporação informou ainda que o trecho da BR-262 onde o caso ocorreu está situado em uma área do Pantanal com grande circulação de animais silvestres, especialmente durante a noite, quando eles se deslocam entre áreas de alimentação, abrigo e reprodução. Por isso, a PMA reforça a necessidade de atenção redobrada dos motoristas, com redução de velocidade e direção mais cuidadosa para evitar tragédias similares.
Casos de atropelamento de fauna são frequentes na região, com registros já documentados de animais como onças, jaguatiricas, tatus-canastra, antas e capivaras. A PMA orienta que, ao encontrar animais feridos ou às margens da rodovia, a população acione imediatamente o telefone 190 ou entre em contato com a sede da corporação em Campo Grande, pelo número (67) 3941-0141.
BR-262: uma “rodovia da morte” para a fauna silvestre brasileira
De acordo com o Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS), a BR-262 está entre os trechos com maior número de atropelamentos de fauna no país, sendo muitas vezes chamada de “rodovia da morte”. Em dezembro de 2025, começaram a ser instaladas cercas em trechos da rodovia, como parte de um plano de redução de atropelamentos de fauna silvestre em cerca de 278 quilômetros, entre os municípios de Anastácio, Aquidauana, Miranda e Corumbá.
Essa medida, embora tardia, representa um passo importante, mas especialistas alertam que a implementação completa de passagens de fauna e outras infraestruturas é essencial para proteger efetivamente a rica biodiversidade do Pantanal. A morte desta onça-pintada serve como um triste lembrete dos desafios contínuos na coexistência entre desenvolvimento rodoviário e conservação ambiental no Brasil.



