Gramadozoo celebra sucesso reprodutivo com nascimento de aves por incubação artificial
O Gramadozoo, localizado na Serra Gaúcha, no Rio Grande do Sul, registrou um marco importante para a preservação da fauna brasileira: o nascimento de quatro filhotes de ema e uma arara-canindé por meio de incubação artificial. Este método inovador foi implementado para superar desafios naturais na reprodução dessas espécies em cativeiro, garantindo melhores taxas de sucesso e contribuindo para a conservação ambiental.
Intervenção veterinária salva filhote de ema durante eclosão
Entre os nascimentos ocorridos neste verão, um dos filhotes de ema exigiu uma intervenção crucial da equipe veterinária do parque. Durante o processo de eclosão, o embrião não conseguiu romper a casca sozinho, necessitando de assistência imediata. O momento foi registrado em vídeo, destacando a importância do cuidado humano na preservação das espécies. Jorge Lima, médico veterinário e responsável técnico do Gramadozoo, enfatizou: "O embrião não nasceria sem a ajuda. Todo nascimento é importante para a preservação das espécies".
Comportamento natural das emas desafia reprodução em cativeiro
O período de postura dos ovos pelas emas começou em setembro de 2025, com os primeiros filhotes nascendo em novembro. No entanto, o comportamento reprodutivo natural da espécie apresenta obstáculos significativos dentro do recinto do zoo. Nas emas, são os machos que assumem a responsabilidade de chocar os ovos. Como o Gramadozoo abriga mais machos do que fêmeas, ocorrem disputas entre eles pelo cuidado do ninho, resultando na quebra acidental de alguns ovos.
Para contornar esse problema, a equipe optou por retirar os ovos férteis e transferi-los para uma incubadora especializada. Lima explicou: "Como temos mais machos no recinto, ocorre disputa entre eles para cuidar do ninho, o que acaba quebrando alguns ovos. Optamos por retirar os ovos férteis para termos melhores índices reprodutivos".
Condições controladas na incubadora garantem desenvolvimento ideal
Ao levar os ovos para a incubadora do hospital veterinário do parque, a equipe consegue manter condições ambientais precisas para o desenvolvimento dos embriões. A temperatura é mantida em torno de 37,2°C, enquanto a umidade varia entre 45% e 50%. Esses parâmetros são essenciais para simular o ambiente natural de incubação e maximizar as chances de sobrevivência dos filhotes.
O veterinário destacou a vantagem do método artificial: "De forma natural, os nascimentos são mais difíceis de serem registrados uma vez que os ovos são expostos a mais desafios do que quando recebem cuidados artificiais". As emas são classificadas como animais precociais, ou seja, já nascem com os olhos abertos e começam a se locomover imediatamente após a eclosão. Nesta fase inicial, é possível observar os machos assumindo o cuidado dos filhotes, um comportamento típico da espécie.
Nascimento de arara-canindé exige cuidados intensivos pós-eclosão
Além das emas, o Gramadozoo também celebrou o nascimento de uma arara-canindé através do mesmo método de incubação artificial. No entanto, ao contrário das emas, o filhote de arara requer atenção integral após o nascimento. A ave, que veio ao mundo em 2 de janeiro de 2026, precisou permanecer na Unidade de Tratamento Animal (UTA) do parque, recebendo alimentação frequente e especializada.
Lima detalhou os cuidados necessários: "O filhote de arara recebia alimento a cada duas horas ou sempre que esvaziava o papo. Agora, com mais de dois meses, o filhote recebe uma papinha especial duas vezes ao dia". Este acompanhamento rigoroso é fundamental para garantir o desenvolvimento saudável da ave, que depende completamente dos humanos nessa fase inicial de vida.
Impacto positivo para a conservação da biodiversidade gaúcha
O sucesso reprodutivo alcançado pelo Gramadozoo através da incubação artificial representa um avanço significativo para a preservação de espécies nativas do Rio Grande do Sul. A técnica não apenas aumenta as taxas de nascimento, mas também permite um monitoramento mais próximo do desenvolvimento dos embriões, facilitando intervenções quando necessário.
Essas iniciativas reforçam o papel dos zoológicos modernos como centros de conservação e educação ambiental, contribuindo para a proteção da biodiversidade brasileira. O nascimento dessas aves simboliza um passo importante na luta contra a extinção e na promoção da conscientização pública sobre a importância da preservação da fauna local.



