Prefeitura de Marília denuncia maus-tratos e ataques a tiros contra quatis em bosque municipal
A Prefeitura de Marília, no interior de São Paulo, emitiu um alerta urgente sobre casos de maus-tratos contra animais silvestres, após o resgate de um quati ferido por tiros de chumbinho no Bosque Municipal Rangel Pietraroia. O animal foi socorrido no dia 15 de abril pela Secretaria do Meio Ambiente e continua recebendo atendimento veterinário especializado. Um raio-X realizado no quati revelou a presença de dois chumbinhos alojados em seu corpo, evidenciando a gravidade do ataque.
Orientações sobre convívio com fauna silvestre e proibição de alimentação
Diante do incidente, a administração municipal reforçou as orientações à população sobre o convívio adequado com a fauna silvestre e alertou que alimentar os animais do bosque é estritamente proibido. Em entrevista à TV TEM, a médica veterinária Melissa Campitelli esclareceu que os quatis não residem permanentemente no bosque, mas utilizam a área como rota de passagem e buscam alimento em seu habitat natural, localizado nos vales dos Itambés.
"Animais de vida livre, que são os animais silvestres da nossa fauna, nunca devem ser alimentados. Temos muitas espécies aqui, como quatis, cutias e cachorros-do-mato, que são mais visualizados à noite, além das aves. Eles devem buscar o próprio alimento, adequado para cada espécie, dentro da natureza e de seu habitat. Ao alimentá-los, as pessoas oferecem comida que nem sempre é a adequada", explicou a veterinária.
Punições legais para maus-tratos e alimentação irregular
Segundo Melissa Campitelli, tanto os maus-tratos quanto a alimentação irregular dos animais podem se enquadrar em legislações ambientais, com punições que variam de multas a prisão. "Tanto quem alimenta quanto quem maltrata pode incorrer em duas legislações: a lei de crimes ambientais, por se tratar de um animal silvestre, ou na lei de maus-tratos, quando há a comprovação. As punições podem variar de multa até prisão", completou.
Pela Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/98), a pena para maus-tratos contra animais é de detenção de três meses a um ano e multa, podendo haver agravantes conforme o caso. Quando o crime é cometido contra cães e gatos, a pena é mais severa, com reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda. No caso de animais silvestres, a conduta também pode ser enquadrada em crimes contra a fauna, reforçando a importância da proteção legal.
Prefeitura nega superpopulação de quatis no bosque
Em nota oficial, a prefeitura de Marília afirmou que não há superpopulação de quatis no bosque municipal. A impressão de infestação, segundo as autoridades, ocorre devido ao deslocamento frequente dos animais em áreas visíveis ao público. "Existe uma sensação de grande quantidade, mas, proporcionalmente à área do bosque, não se trata de infestação. O que ocorre é um intenso deslocamento desses animais ao longo do dia, inclusive atravessando vias com alto fluxo de veículos, o que aumenta a visibilidade", explicou Rodrigo Más, secretário adjunto do Meio Ambiente e Serviços Públicos da cidade.
O caso do quati baleado serve como um alerta para a necessidade de conscientização pública sobre a proteção da fauna silvestre e o cumprimento das leis ambientais. A prefeitura continua monitorando a situação e promove ações educativas para evitar novos incidentes.



