Um fato inusitado e tocante chamou a atenção de fiéis na cidade de Juiz de Fora, em Minas Gerais. Um macaco-bugio se tornou um participante especial das missas dominicais na capela da Comunidade Nossa Senhora da Visitação, localizada no Bairro Tiguera. O animal, que parece acompanhar os momentos de oração e canto, foi flagrado em vídeo durante uma celebração, criando uma cena que mistura fé, natureza e surpresa.
O frequentador mais especial da paróquia
De acordo com José Mauro, responsável pela capela da Paróquia Mãe de Deus, a presença do primata não é um evento isolado. Ele confirmou a veracidade das imagens e revelou que o macaco-bugio visita a igreja regularmente aos domingos, no horário da missa. "Ele é tranquilo, obedece às pessoas e aparece praticamente todos os domingos", contou José Mauro. O responsável ainda descreveu a rotina do animal: "Entra, fica no meio, às vezes sai e depois volta. Dá a mão e sai agarrado comigo. É um macaco muito dócil".
Nas imagens que circularam, o bugio pode ser visto empoleirado no encosto de um dos bancos de madeira. O momento mais impressionante ocorreu quando os fiéis entoavam o cântico católico 'Piedade de Nós'. O animal soltou seus sons característicos, que pareciam harmonizar com a música, dando a impressão de estar participando ativamente do ritual. Testemunhas afirmam que o primata se manteve calmo e atento, sem demonstrar qualquer sinal de agressividade diante da movimentação das pessoas ao seu redor.
Bugios na região: entre a convivência e os cuidados
Esta não é a primeira aparição de um macaco da espécie bugio mobilizando moradores da Zona da Mata mineira. Em julho de 2024, um animal, possivelmente o mesmo, chegou a morder um morador de um condomínio vizinho a uma área verde no Bairro Tiguera, após se assustar. Esse macaco, conhecido há cerca de dois anos e apelidado de 'Cornélio', já era uma figura familiar, embora não se possa afirmar com certeza que seja o mesmo indivíduo que frequenta a capela.
Apesar da cena pacífica na igreja, especialistas e o Corpo de Bombeiros fazem um alerta importante. O macaco-bugio, mesmo parecendo calmo, pode representar riscos e atacar se se sentir ameaçado. As recomendações oficiais são claras:
- Em caso de encontro com o animal fora do habitat, isolar o local e contatar imediatamente os Bombeiros pelo telefone 193 para uma captura segura.
- Se houver um ataque, a orientação é procurar atendimento médico sem demora e, se possível, registrar características do animal ou tirar uma foto para facilitar a identificação.
Um símbolo da Mata Atlântica ameaçado
A história do bugio de Juiz de Fora vai além do fato curioso. O macaco-bugio-ruivo (Alouatta guariba) está em uma situação crítica de conservação. Segundo uma pesquisa do Grupo de Especialistas em Primatas da Sociedade Primatológica Internacional, a espécie está entre os 25 primatas mais ameaçados de extinção em todo o mundo.
Esses animais desempenham um papel ecológico vital. Considerados indicadores da saúde dos ecossistemas da Mata Atlântica, sua presença reflete o equilíbrio ambiental da região. Sua alimentação, baseada em folhas e frutas, contribui diretamente para a dispersão de sementes e a regeneração das florestas. A aparição frequente em áreas urbanas, como a registrada na capela, pode ser um reflexo da pressão sobre seu habitat natural, tornando a conscientização sobre sua proteção ainda mais urgente.
A cena do macaco-bugio 'cantando' na missa se tornou um símbolo inesperado da interação entre o urbano e o silvestre em Juiz de Fora. Enquanto encanta pela sua docilidade aparente e comportamento peculiar, o animal também serve como um lembrete vivo da rica, porém frágil, biodiversidade brasileira que clama por preservação.