Um javali, também conhecido como javaporco, foi flagrado a aproximadamente 2.450 metros de altitude no Parque Nacional do Itatiaia, no estado do Rio de Janeiro. O registro ocorreu na estrada de acesso ao Abrigo Rebouças, uma das áreas mais frequentadas da unidade de conservação. O vídeo divulgado pelo parque gerou grande repercussão nas redes sociais, levantando questionamentos entre os internautas sobre a presença da espécie na região.
Espécie invasora e seus impactos
De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o javali é classificado como uma das 100 piores espécies exóticas invasoras do mundo pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). Os impactos provocados pelo animal são de ordem ambiental, econômica e sanitária.
O javali chegou ao Brasil na década de 1960, inicialmente para criação, caça e consumo de carne, especialmente na região Sul. A partir dos anos 1990, a criação se intensificou para abastecer o mercado de carnes exóticas, e a entrada de animais vindos do Uruguai, Europa e Canadá favoreceu a proliferação da espécie em território nacional.
Segundo o Ibama, além da alta capacidade de adaptação, os javalis possuem reprodução acelerada, comportamento agressivo e não têm predadores naturais no Brasil. Esses fatores facilitam a expansão da espécie em diferentes regiões, inclusive em áreas de preservação ambiental.
Danos ao ecossistema
No Parque Nacional do Itatiaia, os impactos já são monitorados pela administração. O gestor Felipe Mendonça explica que os animais causam destruição da vegetação, danos ao solo e afetam nascentes de água. “O javali é uma espécie exótica invasora. Ela não é natural do parque, nem da Serra da Mantiqueira, e traz muitos prejuízos aos ecossistemas do parque e também para as comunidades”, afirmou.
O hábito de “fuçar” o solo em busca de alimento é um dos principais problemas ambientais. Essa prática acelera processos erosivos, prejudica a vegetação nativa e provoca o assoreamento de rios e nascentes. Além disso, os javalis competem com animais silvestres brasileiros por território e alimento, e predam ovos, sementes e pequenos animais.
Riscos sanitários
Outro ponto de preocupação é o risco sanitário. De acordo com o Ibama, os javalis podem transmitir doenças como leptospirose, febre aftosa e triquinose, afetando seres humanos e rebanhos domésticos.
Visitantes também relataram encontros recentes com os animais na parte alta do parque. “Ano passado eu e uma amiga fomos na Pedra Furada. Encontramos dois homens monitorando esses animais e, na descida da estrada, dois javalis atravessaram na nossa frente. Ficamos muito assustadas porque estávamos sozinhas na trilha”, comentou um usuário nas redes sociais.
Manejo e controle populacional
Para conter o avanço da espécie, o Parque Nacional do Itatiaia iniciou, no ano passado, um trabalho permanente de manejo e controle populacional. Armadilhas foram instaladas em diferentes pontos da unidade e, desde novembro, 11 javalis já foram capturados e abatidos.
“O parque também vem fazendo trabalhos de manejo, de controle dessa população de javali. Temos armadilhas espalhadas pelo parque onde a gente vem fazendo esse controle desde o ano passado. Os resultados vêm aparecendo e trazendo bastante animação para a equipe continuarmos nesse trabalho”, disse Felipe Mendonça.
O manejo de javalis em unidades de conservação depende de autorização específica do ICMBio e do Ibama. Diferentemente do controle em propriedades privadas, os pedidos passam por análise técnica antes da liberação.
Orientações aos visitantes
Apesar da repercussão do vídeo, o gestor do parque afirmou que ataques são considerados raros, mas reforçou a necessidade de cautela. “O risco de um ataque de javali é muito pequeno, estatisticamente é muito pequeno, mas é sempre bom ter cuidados. Não se aproxime desses animais, não ofereça alimentos e nunca tente perseguir ou acuar”, orientou.
A administração do parque informou que o javali avistado foi capturado e abatido. A unidade recomenda que, em caso de novos avistamentos, os visitantes mantenham distância e informem aos funcionários locais.



