Exército Brasileiro auxilia na retirada de 27 cavalos de Fernando de Noronha
A Administração de Fernando de Noronha estabeleceu uma parceria estratégica com o Exército Brasileiro para realizar a retirada de 27 cavalos da ilha e transportá-los com segurança para o continente. A ação, que ocorreu nesta terça-feira (31), contou com a participação de veterinários do governo local e militares, que conduziram uma vistoria detalhada nos animais que pastavam livremente nas áreas urbanas.
Avaliação dos animais e critérios para transferência
Segundo Guilherme Santos, gerente de Vigilância em Saúde da Administração da Ilha, a avaliação tem como objetivo principal identificar quais cavalos podem ser adotados diretamente pelo Exército Brasileiro. "A instituição militar não apenas oferecerá um novo lar para alguns dos animais, mas também auxiliará significativamente na logística complexa da transferência", explicou o gestor.
O levantamento completo realizado na ilha identificou a presença de 67 cavalos no total. Desse número, 40 possuem tutores registrados e recebem cuidados adequados, enquanto os demais enfrentam situações mais precárias. "Parte dos animais é mantida de forma inadequada. Este levantamento minucioso busca viabilizar a retirada dos cavalos da ilha de maneira organizada e humanitária", complementou Santos.
Logística da operação e apoio do Exército
O gerente destacou que o Exército Brasileiro disponibilizará um caminhão especialmente adaptado para o transporte de animais, que será embarcado em um navio de carga. Este veículo possui capacidade para transportar até dez cavalos por viagem, otimizando consideravelmente o processo.
"Com esse apoio fundamental, a transferência, que originalmente exigiria cinco viagens de navio, poderá ser concluída em apenas duas. Além do suporte logístico, alguns cavalos serão diretamente adotados pelo Exército", afirmou Guilherme Santos com otimismo.
Critérios para retirada e medidas preventivas
Serão removidos da ilha os cavalos cujos tutores autorizaram expressamente a transferência, além daqueles identificados como abandonados ou vítimas de maus-tratos. Para os animais que permanecerem em Fernando de Noronha, será implementada uma política obrigatória de castração, visando controlar a população equina a longo prazo.
Esta iniciativa ganha urgência diante de episódios trágicos ocorridos em 2026, quando dois cavalos morreram vítimas de maus-tratos no arquipélago, causando profunda revolta entre a comunidade local.
Condição dos animais e potencial de recuperação
A tenente e veterinária do Exército, Laiane Magalhães, que participou ativamente da vistoria, descreveu a situação encontrada: "Foram identificados animais visivelmente debilitados, expostos excessivamente ao sol e com problemas dermatológicos significativos, como infecções por fungos. A maioria não tem acesso regular à água, o que configura claramente situações de maus-tratos".
Apesar das condições preocupantes, a militar expressou confiança na recuperação dos equinos: "Vamos realizar um manejo sanitário completo, adaptar os animais ao nosso plantel e ajustar cuidadosamente sua alimentação e hidratação para que possam viver com dignidade e saúde".
Histórias positivas e compromisso com os animais
Durante a ação, a equipe visitou também o técnico em manutenção José Roberto Lopes, que adotou uma égua abandonada há dois meses. "Este animal ficou sem dono quando a tutora original deixou a ilha. Não havia ninguém para cuidar dela, então assumi a responsabilidade e pretendo mantê-la aqui em Fernando de Noronha", declarou José com determinação.
A égua, com pouco mais de um ano de idade, recebeu um chip de identificação eletrônica, e seu novo tutor recebeu orientações especializadas sobre os cuidados básicos necessários para o bem-estar do animal.



