Elefante-marinho monitorado inicia jornada épica do Paraná à Argentina
O primeiro elefante-marinho monitorado do Brasil, solto na última quarta-feira (21) no litoral do Paraná, está desfrutando, sem pressa, do longo trajeto rumo à Argentina. O filhote macho, que recebeu um transmissor de satélite fixado temporariamente na cabeça, já percorreu aproximadamente 180 quilômetros e esteve nas regiões de Navegantes e Itajaí, no Litoral Norte catarinense, no sábado (24).
As informações são do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos, coordenado pela Universidade do Vale do Itajaí (Univali) em Santa Catarina e no Paraná. Segundo André Silva Barreto, coordenador geral do PMP-BS na área que abrange os dois estados, o animal está explorando o ambiente e, em alguns locais, parando para pescar.
Reabilitação e retorno às origens
O filhote foi resgatado no litoral do Paraná em dezembro do ano passado, debilitado e com pneumonia, passando quase um mês em reabilitação. Agora, ele inicia o trajeto rumo à Península de Valdés, na Argentina, região onde os elefantes-marinhos se reproduzem. A estimativa é que percorra cerca de 2,5 mil quilômetros nos próximos meses.
Segundo a coordenadora do projeto, Camila Domit, a presença da espécie na costa brasileira é rara. "O nascimento desse animal no Brasil ainda é uma grande incógnita. O fato desse animal estar aqui, ser reabilitado e devolvido à natureza nos relembra que temos um compromisso com o oceano. O que nós estamos fazendo aqui, de alguma forma, também vai influenciar toda a biodiversidade marinha", afirma.
Características do animal e cuidados na soltura
O filhote é um macho de 68 kg e 1,80 m de comprimento. Com apenas quatro meses de vida, ainda está com os dentes nascendo. Quando adulto, pode ultrapassar duas toneladas. O transmissor instalado na cabeça do animal deve se soltar em até seis meses e permite acompanhar seu deslocamento e saúde.
A soltura ocorreu no Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, a 14 km da costa do Paraná. Segundo Camila Domit, o local foi escolhido para manter o filhote afastado de áreas urbanas e reduzir riscos causados por atividades humanas.
"O elefante-marinho é uma espécie oceânica, que se alimenta em zonas de alta profundidade. A ideia de trazer esse elefantinho para essa região é, primeiro, dar a ele a oportunidade de ficar longe de uma zona urbana. Temos uma preocupação que doenças que afetam cachorros e gatos nas nossas cidades possam afetar também a saúde desse animal", explica Domit.
Orientações para a população
Se o filhote aparecer em alguma praia durante sua jornada, a orientação é manter distância e acionar o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos ou os órgãos ambientais locais. Essa medida ajuda a garantir a segurança do animal durante a viagem, evitando interferências humanas que possam prejudicar seu retorno natural ao habitat.
O monitoramento contínuo desse elefante-marinho representa um marco importante para a conservação marinha no Brasil, oferecendo dados valiosos sobre o comportamento e migração dessa espécie rara em nossas águas.