Dezenas de cães vivem em situação crítica em aterro sanitário de Baturité
Um aterro sanitário localizado na zona rural do município de Baturité, a aproximadamente 100 quilômetros de Fortaleza, no Ceará, tornou-se cenário de uma triste realidade: dezenas de cães, incluindo filhotes, vivem em completo abandono. A situação, que vem sendo denunciada por ativistas da causa animal desde março, foi confirmada pela Autarquia do Meio Ambiente de Baturité após investigação no local.
Condições precárias e riscos constantes
Os animais, que não possuem qualquer tipo de abrigo adequado, enfrentam condições extremamente precárias. Sua alimentação é baseada principalmente em restos de alimentos encontrados no local, o que tem levado ao desenvolvimento de diversas doenças. Além disso, os cães estão constantemente expostos a graves riscos de acidentes devido à circulação de veículos pesados que operam no aterro sanitário.
Conforme relatos de funcionários, os cães já habitavam a região desde a época em que funcionava um lixão no local, antes de sua desativação. Atraídos pelos resíduos alimentares, os animais permaneceram mesmo após a transformação do espaço em aterro sanitário, que hoje ocupa cerca de 13 hectares na localidade de Sanharão.
Levantamento oficial confirma gravidade
O superintendente da Autarquia do Meio Ambiente de Baturité, Arthur Emílio, liderou uma equipe que realizou visitas técnicas ao local na terça-feira (7) e quarta-feira (8). Utilizando um drone para capturar imagens aéreas, a equipe conseguiu contabilizar aproximadamente 50 animais, número significativamente menor que as estimativas iniciais de centenas de cães mencionadas nas primeiras denúncias.
"A partir desse relatório a gente vai encaminhar ofícios e a cópia do relatório para órgãos responsáveis, incluindo a própria Prefeitura do Município de Baturité", afirmou Arthur Emílio, destacando a urgência da situação.
Recomendações técnicas para solução imediata
Com base nas investigações de campo, a equipe técnica da Autarquia preparou um laudo detalhado que foi entregue à Prefeitura de Baturité na noite de quarta-feira (8). O documento contém informações precisas sobre o número real de animais, seu estado de saúde e, principalmente, uma série de recomendações para enfrentar a crise.
Entre as medidas urgentes propostas estão:
- Vacinação imediata de todos os cães
- Castração posterior dos machos do grupo
- Busca por adoção responsável para os animais
- Cercamento do espaço do aterro para evitar nova entrada de animais
Prazos e perspectivas de solução
Segundo o superintendente, os responsáveis terão até 60 dias para implementar as ações recomendadas após a entrega formal do relatório. No entanto, Arthur Emílio expressou esperança de que a vacinação dos animais possa começar já na próxima semana, demonstrando a urgência que a situação exige.
"Pretendo conversar com a secretária de saúde para essa campanha ser feita quase de forma imediata, assim que ela receber o laudo técnico e o ofício", afirmou o superintendente, que também sugeriu a criação de um centro de zoonoses para a região do Maciço de Baturité como solução de longo prazo.
O problema, conforme destacou Arthur Emílio, não se restringe apenas ao município de Baturité, mas reflete uma questão mais ampla de superpopulação canina que afeta toda a região. A Autarquia do Meio Ambiente planeja informar também o governo do estado sobre a situação, buscando apoio adicional para resolver o problema de forma definitiva.
O g1 procurou a Secretaria de Saúde de Baturité através da assessoria de comunicação da Prefeitura para obter mais informações sobre as medidas que serão tomadas, mas não obteve retorno até o momento desta publicação.



