Biólogo emociona-se ao registrar harpia, a maior águia do mundo, no Pantanal de MS
Biólogo registra maior águia do mundo no Pantanal de MS

Biológico emociona-se ao registrar harpia, a maior águia do mundo, no Pantanal de MS

A harpia (Harpia harpyja), reconhecida como a maior ave de rapina das Américas e considerada a maior águia do planeta, foi registrada de forma emocionante no Maciço do Urucum, localizado em Corumbá, no coração do Pantanal de Mato Grosso do Sul. O biólogo e fotógrafo Bruno Sartori, que atua pela ONG Onçafari, conseguiu capturar imagens fotográficas e filmagens do imponente animal durante uma expedição dedicada ao monitoramento da fauna local.

Um encontro marcado por felicidade e superação

Em entrevista, o biólogo compartilhou que o encontro com a harpia representou um momento de grande felicidade e realização pessoal. Segundo ele, esse registro valioso é o resultado de um trabalho contínuo e dedicado de pesquisadores que atuam na região. O ninho da ave foi inicialmente descoberto em novembro pelo projeto Icterus, uma iniciativa voltada para a preservação da fauna em Mato Grosso do Sul.

Em dezembro, o projeto Planeta Aves instalou uma câmera especializada para acompanhar o casal de harpias sem causar qualquer interferência no ambiente natural. Esse monitoramento cuidadoso confirmou não apenas a presença do ninho, mas também, posteriormente, o nascimento de um filhote, adicionando um capítulo ainda mais significativo à história.

A jornada desafiadora até o registro histórico

No dia 30, um grupo composto por quatro biólogos e fotógrafos embarcou em uma expedição até a área remota com o objetivo de tentar registrar a harpia. O caminho até o local foi extremamente difícil, enfrentando condições adversas como chuva intensa e mata fechada, que testaram a determinação da equipe. A cerca de 200 metros do ninho, veio a confirmação tão esperada: a harpia estava ali, em seu habitat natural.

Os registros desse encontro único foram divulgados nesta semana nas redes sociais do especialista, gerando comoção e interesse. Bruno Sartori expressou sua emoção ao relatar: "Eu tinha feito uma promessa pra mim mesmo, que a primeira harpia que eu veria seria na natureza, não em cativeiro, não queria ver em nenhum ponto que fosse resgate ou algo assim. E foi incrível, é indescritível a sensação que deu na hora que eu bati o olho e tinha aquele bicho gigantesco do lado, só consegui olhar e sorrir".

A alegria do biólogo foi amplificada pela realização de uma meta pessoal profundamente significativa. Ele acrescentou: "É um animal que pra mim tem um ar mitológico, assim, eu sempre achei que fosse impossível de ver, era um animal quase unicórnio, que só existe nas histórias. Eu tinha feito uma promessa pra mim mesmo, que a primeira harpia que veria seria na natureza, não em cativeiro ou em um ponto de resgate. Então foi incrível".

A harpia: imponência e vulnerabilidade

A harpia é uma ave de características impressionantes, podendo chegar a 2,5 metros de envergadura e 1,15 metro de comprimento. As fêmeas, que são maiores que os machos, podem pesar até 10 quilos. Sua plumagem distintiva, que forma uma espécie de coroa na cabeça, deu origem ao nome popular de gavião-real. Com uma visão estimada em oito vezes mais potente que a humana, a harpia é capaz de capturar presas como preguiças no alto das árvores e carregar animais de até 10 quilos, posicionando-se no topo da cadeia alimentar.

Apesar de sua imponência e habilidades predatórias, a harpia enfrenta sérias ameaças à sua sobrevivência. A espécie sofre com o desmatamento e a perda acelerada de habitat, fatores que tornam cada registro como este essencial para a ciência e os esforços de conservação. No Brasil, a harpia é classificada como "quase ameaçada" pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e como "ameaçada" na lista estadual de Mato Grosso do Sul.

Entre os principais fatores de risco estão a destruição do habitat natural e a caça ilegal, que colocam em perigo populações isoladas. Em Mato Grosso do Sul, registros da harpia têm sido documentados em localidades como Bonito, Bodoquena, Aquidauana e, agora, de forma destacada, em Corumbá, reforçando a importância do Pantanal como refúgio para essa espécie icônica.