Pescadores capturam arraia gigante ameaçada de extinção no Rio Acre, no interior do AC
Arraia gigante ameaçada é capturada por pescadores no AC

Pescadores capturam arraia gigante ameaçada de extinção no Rio Acre

Um evento extraordinário marcou as águas do Rio Acre no último sábado (21), quando pescadores capturaram uma arraia-maçã de proporções impressionantes em Assis Brasil, interior do Acre. O pescador Iomar Souza de Vasconcelos, de 33 anos, foi quem realizou a pesca histórica que rapidamente se tornou viral nas redes sociais.

Captura histórica e reações

Iomar, que também é criador de conteúdo na internet, estava acompanhado por outros dois pescadores quando percebeu que havia fisgado algo extraordinário. "Tomei um susto quando vi que era uma arraia, pois, ao puxar a linha, achei que se tratava de um grande peixe", relatou ao g1. O vídeo da pesca foi postado na terça-feira (24) e já acumula mais de 17 mil visualizações, mostrando a emoção do momento.

Os pescadores não chegaram a pesar ou medir o animal com precisão, mas estimaram seu tamanho com base na largura do barco, que tem 1,20 metro. "Teve uma pesca anterior que conseguimos fisgar uma arraia bem menor que essa. Na época, pesamos e deu 60kg. Com isso, acredito que essa outra arraia pesou aproximadamente 100 kg, pois tinha o tamanho do nosso barco", explicou Iomar.

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Espécie criticamente ameaçada

Segundo a bióloga e doutora em ecologia de peixes Lucena Rocha Virgilio, professora da Universidade Federal do Acre (Ufac), campus Cruzeiro do Sul, a arraia capturada é da espécie Paratrygon aiereba, classificada como criticamente em perigo na Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção. Esta é uma das maiores arraias de água doce, podendo atingir 1,6 metro de largura e pesar até 110 quilos.

A especialista destacou que a vulnerabilidade da espécie se deve principalmente à sua maturação sexual tardia e à baixa taxa reprodutiva. "Essa espécie é muito frágil, se reproduz com cerca de 30 a 35 anos, só tem dois filhotes e pode chegar a um tamanho bem grandão", detalhou Virgilio. Cada fêmea dá à luz, em média, apenas dois filhotes por ciclo reprodutivo, que ocorre a cada dois anos.

Decisão de abater o animal

Durante a captura, o animal acabou engolindo o anzol, o que levou os pescadores a decidirem abatê-lo para consumo. "Não teríamos como soltar, ela não sobreviveria. Ela é um peixe como qualquer outro, com a carne um pouco mais firme e a maneira mais comum é fazer ela desfiada", justificou Iomar.

No vídeo divulgado, o pescador comemora emocionado: "Aguenta, essa é a maior arraia do Rio Acre, já registrada por algum pescador. Eu nunca tinha visto uma desse tamanho aqui em Assis, Brasil".

Técnica de pesca e características da espécie

Com mais de 25 anos de experiência, Iomar explicou que utilizou uma técnica tradicional da região chamada linha de espera. "Conseguimos fisgá-la por meio dessa técnica que consiste em lançar a isca em um local estratégico e aguardar que o peixe se aproxime e morda. Ao contrário da pesca ativa, a vara que usamos permaneceu parada em um suporte até capturar", afirmou.

O pescador destacou ainda que arraias grandes como essa quase não apresentam ferrão ameaçador. "É bem curtinho, quase não ameaça, tanto o rabo quando o ferrão são curtos. Ela é responsável por cavar poços para o habitat de grandes peixes que são até de maior valor para nós, que temos a pesca como um meio de sobrevivência", garantiu.

Significado histórico e emocional

Orgulhoso pela conquista, Iomar expressou sua realização pessoal. "Apesar de estar habituados com esse tipo de pesca, o vídeo fala por si em termos da sensação. É muita alegria e admiração pois sabemos que estamos fazendo história para contar para filhos e netos", concluiu.

A professora Lucena Rocha Virgilio reforçou a raridade do espécime: "Justamente porque o período reprodutivo é muito tardio, imagina, pra chegar desse tamanho, essa raia deve ter quase uns vinte e poucos anos". A captura desta arraia gigante no Rio Acre representa não apenas um feito extraordinário para os pescadores locais, mas também um registro importante de uma espécie cada vez mais rara nas águas brasileiras.

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