Famílias ocupantes bloqueiam rodovia PA-160 em Parauapebas após decisão judicial
Na madrugada desta sexta-feira (13), famílias que ocupam uma área de fazenda no Complexo VS-10, em Parauapebas, sudeste do Pará, realizaram um protesto que resultou no bloqueio da rodovia PA-160. A ação é uma resposta direta a uma decisão judicial que determinou a reintegração de posse da área, onde vivem aproximadamente mil famílias há mais de dois anos.
Protesto interrompe tráfego na principal via da região
Os manifestantes utilizaram pedaços de madeira e pneus para interditar a pista, nas proximidades do presídio de Parauapebas, no sentido do município de Canaã dos Carajás. Durante o bloqueio, carregavam faixas e cartazes, exigindo a presença de autoridades e alegando não ter para onde ir caso sejam despejados.
"A gente só quer ser ouvido. São muitas famílias que moram aqui há mais de dois anos. Se mandarem sair, pra onde a gente vai?", declarou Maurício Martins, morador e autônomo que participa da ocupação.
Impacto no trânsito e na mobilidade local
Com o trecho interditado, o tráfego na PA-160 ficou significativamente lento, formando longas filas de veículos. Motoristas relataram que uma das faixas da pista era liberada a cada vinte minutos para passagem alternada, o que agravou a situação.
"Estou desde cedo parado aqui, tentando chegar a Canaã. A situação está difícil, porque o trânsito anda muito devagar", contou Paulo Henrique, um motorista que passava pela rodovia durante o protesto.
A PA-160 é uma das principais rotas de ligação entre Parauapebas e Canaã dos Carajás, sendo amplamente utilizada por caminhoneiros, trabalhadores e veículos de transporte coletivo. Portanto, o bloqueio afetou o deslocamento diário de centenas de pessoas na região, causando transtornos consideráveis.
Contexto da ocupação e demandas das famílias
A fazenda ocupada está localizada na comunidade Castanheira, parte do Complexo VS-10, na periferia de Parauapebas. Atualmente, o local abriga cerca de mil famílias, que afirmam residir ali há mais de dois anos e não pretendem deixar o terreno sem que seja apresentada uma alternativa habitacional viável.
Os moradores expressam a esperança de um diálogo com representantes da prefeitura e da Justiça sobre a decisão de reintegração, buscando uma solução que considere suas necessidades de moradia. Eles enfatizam a falta de opções e o medo de ficarem desabrigados caso a ordem judicial seja cumprida.
O g1 procurou os órgãos competentes para obter mais informações sobre o caso, mas até a última atualização da reportagem, não havia obtido resposta. A situação permanece tensa, com as famílias aguardando uma resolução que possa atender tanto aos aspectos legais quanto às demandas sociais envolvidas.



