Policial militar é solto após morte de jovem em abordagem violenta em Manaus
O policial militar Belmiro Wellington Costa Xavier, preso pela morte de um jovem de 19 anos durante uma abordagem na madrugada de domingo (19), em Manaus, foi solto após ter a liberdade provisória decretada durante audiência de custódia nesta segunda-feira (20). A vítima foi identificada como Carlos André de Almeida Cardoso, atingido com um tiro no peito na rua 6, bairro Alvorada, Zona Centro-Oeste da capital amazonense.
Imagens de segurança revelam violência durante abordagem
Uma câmera de segurança registrou a abordagem que terminou em tragédia. Nas imagens, é possível ver claramente o momento em que o jovem é cercado e agredido pelos policiais militares antes do disparo fatal. O vídeo se tornou evidência crucial para a investigação do caso, que chocou a comunidade local e gerou protestos por justiça.
Em audiência de custódia, o Juízo Plantonista concedeu liberdade provisória ao policial militar com a aplicação de medidas cautelares diversas da prisão, previstas no artigo 319 do Código de Processo Penal. Entre as determinações impostas estão: comparecimento mensal em juízo para informar e justificar suas atividades; proibição de se ausentar da comarca sem autorização da Justiça, devendo permanecer à disposição da investigação e da instrução processual; e proibição de exercer atividade operacional e de portar arma de fogo até nova deliberação judicial.
Família contesta versão inicial da polícia sobre acidente
De acordo com familiares da vítima, o rapaz estava em uma motocicleta quando foi abordado por policiais militares por volta das 2h45. A mãe dele relatou que, ao chegar ao local, encontrou o filho caído no chão, com a moto ao lado. Segundo ela, os policiais inicialmente afirmaram que o jovem havia sofrido um acidente.
"Quando eu cheguei lá, eu fui desesperada pra cima do corpo. Falaram que eu não podia chegar perto, que ele tinha sofrido um acidente, colidido com a calçada e quebrado o pescoço. Até então, eu me conformei, fiquei lá esperando a perícia. Nisso que a perícia chegou, a primeira coisa que eles fizeram foi virar o corpo e apontar o tiro que ele tomou no peito", disse a mãe emocionada.
Segundo a mãe da vítima, testemunhas relataram que os agentes impediram pessoas de se aproximarem do local após os disparos. "O que eles fizeram foi totalmente desumano. Eles não foram fazer uma abordagem, eles vieram para matar", afirmou com indignação. O irmão da vítima, que é tenente da Polícia Militar, também compareceu ao local. A ele, os policiais teriam contado outra versão: de que efetuaram disparos para o alto, mas a família questiona como o tiro teria atingido o peito do jovem.
Laudo preliminar confirma morte por arma de fogo
Segundo o laudo preliminar do Instituto Médico Legal (IML), a morte foi causada por ferimentos por projétil de arma de fogo. Também foi constatada lesão no pulmão, confirmando a gravidade do disparo. Os policiais envolvidos foram conduzidos à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) para prestar depoimento, mas apenas um foi preso inicialmente.
O caso continua sob investigação das autoridades competentes, que buscam apurar todas as circunstâncias que levaram à morte do jovem Carlos André durante a abordagem policial.
Manifestação reúne centenas pedindo justiça
Uma manifestação pacífica reuniu amigos e familiares de Carlos André de Almeida Cardoso na Avenida Belmiro Vianês, conhecida como "alameda do Samba", Zona Centro-Oeste de Manaus, no início da noite de domingo (19). O grupo pedia justiça pela morte do jovem de 19 anos, mostrando como ele era querido pela comunidade.
"Olha o tanto de gente que tem aqui. Isso mostra como ele era um rapaz querido, do bem. Só queremos justiça", disse Fábio, um dos participantes do protesto. A manifestação foi acompanhada por agentes da Polícia Militar, mantendo-se pacífica durante todo o tempo.
Polícia Militar do Amazonas se pronuncia sobre o caso
Sobre a morte de Carlos André, a PM informou que um dos agentes envolvidos na ocorrência foi preso e encaminhado ao Núcleo Prisional da Polícia Militar. Também afirmou que a arma de fogo utilizada na ocorrência foi recolhida, mas não informou quais providências foram tomadas com os demais policiais envolvidos no caso.
O g1 tentou localizar a defesa de Belmiro Wellington Costa Xavier para obter mais informações sobre a versão do policial. O portal também questionou a Polícia Militar do Amazonas sobre quais procedimentos serão adotados a partir da soltura do policial, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.
O caso continua gerando comoção na capital amazonense, com a família e amigos da vítima aguardando respostas concretas sobre as circunstâncias da morte e medidas efetivas de justiça.



