Policial Militar é afastado após chutar rosto de mulher durante abordagem em São Vicente
A Polícia Militar do estado de São Paulo afastou o agente Danilo de Oliveira Moura das atividades operacionais após ele ser filmado chutando o rosto de uma mulher durante uma abordagem no município de São Vicente, no litoral paulista. O caso ocorreu na madrugada de quinta-feira (19), em um prédio localizado na Rua Amador Bueno da Ribeira, no Centro da cidade.
Imagens das câmeras corporais estão sendo analisadas
Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP), as imagens registradas pelas câmeras corporais dos policiais envolvidos na ocorrência estão sendo minuciosamente analisadas pela corporação. A Polícia Militar instaurou um inquérito administrativo para apurar todas as circunstâncias do caso, com o objetivo de determinar se houve excesso no uso da força por parte dos agentes.
A SSP-SP emitiu uma nota oficial repudiando qualquer tipo de excesso ou desvio de conduta por parte de seus integrantes, afirmando que, caso sejam constatadas irregularidades durante as investigações, os responsáveis serão devidamente punidos conforme a legislação vigente. A pasta reforçou seu compromisso com a conduta ética e profissional de todos os policiais militares.
Mulher estava em surto psicótico, segundo testemunhas
De acordo com relatos de uma testemunha que preferiu não se identificar, a Polícia Militar foi acionada ao local porque a mulher de 30 anos estava apresentando um quadro de surto psicótico, gritando frases desconexas dentro das dependências do prédio. Moradores do condomínio haviam reclamado sobre barulhos provenientes do apartamento da mulher durante três dias consecutivos antes do incidente.
O Condomínio Edifício Santa Sophia, por meio de nota assinada pelo advogado Marcelo Furlan da Silva, informou que a mulher dirigiu-se ao hall do edifício em estado de descontrole, tentando agredir o porteiro e arremessar um vaso de vidro contra ele. Diante da gravidade da situação, o porteiro decidiu acionar a Polícia Militar para garantir a segurança no local.
Vítima relata sua versão dos fatos
A mulher agredida concedeu entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo, onde revelou que estava em surto devido à falta de medicamentos controlados. Ela admitiu ter tentado dar um tapa no policial militar durante a abordagem, mas afirmou que não conseguiu atingi-lo efetivamente.
"Se não tivesse sido agredida daquele jeito, não teria desacatado em nenhum momento o policial", declarou a vítima, acrescentando que "foi tudo para me defender daquela situação onde eu estava sozinha, não estava oferecendo perigo para ninguém".
Imagens mostram momento da agressão
Imagens obtidas pela reportagem mostram a mulher deitada no corredor do prédio, com dois policiais militares ao seu redor. Em determinado momento, ela tenta segurar o pé de uma policial feminina, quando é atingida com um chute direto no rosto pelo agente Danilo de Oliveira Moura. O vídeo também registra a vítima com o rosto ensanguentado após a agressão.
No boletim de ocorrência registrado pela Polícia Militar, o caso foi classificado como desacato à autoridade, com a corporação alegando que houve agressão contra o PM Danilo por parte da mulher. O documento ainda menciona que a situação teria levado o agente ao "uso moderado da força" para conter a ocorrência.
Condomínio se coloca à disposição das investigações
O Condomínio Edifício Santa Sophia afirmou, em sua nota oficial, que está realizando uma apuração interna sobre a dinâmica completa dos acontecimentos. A administração do prédio se colocou à disposição das autoridades policiais e judiciárias para colaborar com as investigações em andamento e prestar todos os esclarecimentos necessários sobre o caso.
A testemunha que presenciou a abordagem descreveu a cena como um "show de horrores", expressando surpresa com a ação violenta dos agentes policiais que chegaram ao local supostamente para conter uma situação de crise de saúde mental.
Até o momento da publicação desta reportagem, a defesa do policial militar afastado não havia sido localizada para se manifestar sobre as acusações. O caso continua sob investigação tanto pela Polícia Militar quanto pela Secretaria de Segurança Pública do estado de São Paulo.



