Itaquaquecetuba é a cidade com mais mortes por intervenção policial no Alto Tietê
Dados divulgados pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) revelam uma realidade preocupante na região do Alto Tietê. Itaquaquecetuba se consolidou como a cidade que mais registrou mortes decorrentes de intervenção policial nos últimos oito anos, com um total de 82 vítimas entre 2017 e 2025. Esse número representa impressionantes 29,9% de todas as ocorrências do tipo na região durante o período.
Queda geral não ameniza situação crítica em Itaquaquecetuba
Embora as estatísticas regionais mostrem uma redução de 11,11% nas mortes por intervenção policial em 2025 em comparação com anos anteriores, a situação em Itaquaquecetuba permanece alarmante. No ano passado, a cidade registrou 11 mortes, o que corresponde a exatos 40% de todos os casos da região. Este número representa um aumento de 120% em relação a 2024, quando foram contabilizadas cinco ocorrências.
Das 27 mortes registradas em todo o Alto Tietê durante 2025, 22 aconteceram enquanto os policiais estavam em serviço. As outras cinco ocorrências envolveram agentes em seus dias de folga. Apenas uma dessas mortes foi causada por um guarda civil municipal fora do horário de trabalho, enquanto as outras 26 são atribuídas a policiais militares durante o expediente.
Ranking preocupante e respostas institucionais
No ranking regional, Itaquaquecetuba ocupa a primeira posição em número de mortes, seguida por Mogi das Cruzes e Suzano. Esta última cidade registrou 46 mortes nos últimos oito anos, 36 a menos que a líder do ranking. Municípios como Biritiba-Mirim, Guararema, Salesópolis e Santa Isabel não apresentaram casos nos últimos dois anos.
A Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) emitiu nota oficial esclarecendo que todas as ocorrências de mortes decorrentes de intervenção policial são rigorosamente investigadas pelas Polícias Civil e Militar, com acompanhamento das corregedorias, Ministério Público e Poder Judiciário. A pasta destacou ainda que, desde 2023, mais de 1,2 mil agentes foram presos, demitidos ou expulsos das corporações por desvios de conduta no estado.
A SSP também informou sobre investimentos em tecnologia, capacitação profissional e ampliação do uso de equipamentos de menor potencial ofensivo, com mais de 3.500 armas não letais incorporadas ao arsenal das forças de segurança.
Posicionamento da prefeitura de Itaquaquecetuba
A Prefeitura de Itaquaquecetuba respondeu às estatísticas afirmando que não há registro, nos últimos cinco anos, de mortes decorrentes de intervenção da Guarda Civil Municipal durante o exercício do serviço. O único caso envolvendo um agente da instituição ocorreu em 2023 e foi caracterizado como excludente de ilicitude, quando um guarda em folga reagiu a um roubo em legítima defesa.
Segundo a administração municipal, os guardas civis municipais passam por capacitações contínuas e orientações diárias quanto ao uso progressivo e escalonado da força, priorizando sempre a mediação de conflitos e o emprego de meios não letais. A prefeitura reforçou que a GCM atua com base nos princípios da legalidade, proporcionalidade e preservação da vida.
Os dados revelam um paradoxo na segurança pública regional: enquanto há uma redução geral nas mortes por intervenção policial, municípios específicos como Itaquaquecetuba continuam apresentando números preocupantes que demandam atenção especial das autoridades e da sociedade civil.



