Homem morre após abordagem policial com uso de taser em Santa Bárbara d'Oeste
Um homem de 41 anos, identificado como Luis Ricardo Sunega, faleceu na noite desta segunda-feira (3) após ser atingido por disparos de taser, arma de eletrochoque considerada não letal, durante uma abordagem realizada por três guardas civis municipais em Santa Bárbara d'Oeste, no interior de São Paulo. Os agentes foram presos em flagrante, pagaram fiança e agora respondem ao processo em liberdade, mas permanecem afastados de suas funções operacionais.
Detalhes da abordagem e versão dos guardas
De acordo com o boletim de ocorrência, os guardas relataram que a vítima teria se revoltado durante a abordagem, tornando-se agressiva após se envolver em um acidente com sua motocicleta. Segundo os agentes, ao avistar a viatura policial, Sunega teria colidido contra uma árvore e caído no chão. O registro policial indica que foi necessário o esforço de nove homens para contê-lo, com os guardas afirmando que ele arrebentou uma algema, o que justificaria o uso da arma de choque para imobilização.
Entretanto, o documento também aponta falhas graves na conduta dos agentes: não houve preservação do local do ocorrido e o veículo da vítima foi removido sem comunicação prévia à delegacia. Os três guardas foram autuados por homicídio culposo e tiveram suas armas apreendidas para investigação.
Decisão da delegada e posicionamento da prefeitura
A delegada responsável pelo caso entendeu que não existem indícios de dolo (intenção de matar), mas considerou que a reação dos guardas foi desproporcional à situação. Em sua avaliação, a conduta diante de um mero acidente de trânsito mostrou-se imprudente e inadequada. Os agentes pagaram fiança no valor de R$ 1,6 mil e responderão ao processo em liberdade, enquanto o caso segue sob investigação do 2º Distrito Policial de Santa Bárbara d'Oeste.
Em nota oficial, a Prefeitura de Santa Bárbara d'Oeste manifestou pesar pelo ocorrido e informou que a Corregedoria da Guarda Civil Municipal instaurou procedimento interno para apuração detalhada dos fatos. Durante o período de investigação, os guardas envolvidos permanecerão afastados das atividades externas até a conclusão definitiva do processo.
Perícia e contradições nas informações
A perícia técnica constatou que a vítima apresentava fios da arma taser ainda alojados no corpo, marcas de algema nos punhos e tornozelos, além de ferimentos na canela. A equipe médica do hospital local informou que Sunega chegou ao local com vida, mas faleceu em seguida. Segundo o boletim de ocorrência, médicos alertaram que, caso a vítima tivesse algum problema cardíaco pré-existente, o uso da arma de choque poderia ter desencadeado o evento fatal.
O documento também menciona que, em caso de surto por uso de drogas — hipótese levantada pelos guardas — o taser poderia potencializar lesões cardíacas. Contudo, a esposa da vítima contestou essas alegações, afirmando que Sunega não possuía histórico de uso de cocaína nem problemas mentais que ocasionassem surtos ou explosões de raiva. Ela detalhou que, na noite do ocorrido, ele havia consumido apenas duas latas de cerveja e seguia para encontrar um colega que lhe daria carona para o trabalho no dia seguinte.
Contexto legal e investigações em andamento
O caso levanta questões importantes sobre o uso proporcional da força por agentes de segurança e os protocolos de abordagem em situações de trânsito. Enquanto os guardas respondem por homicídio culposo, definido como a morte causada por imprudência, negligência ou imperícia sem intenção de matar, as investigações buscam esclarecer se houve excesso na ação policial.
A comunidade local e familiares aguardam os desdobramentos do processo, que deve analisar minuciosamente as circunstâncias da morte, a conduta dos agentes e as possíveis violações de protocolo. O afastamento dos guardas e a abertura de procedimento interno pela corregedoria municipal demonstram a seriedade com que as autoridades estão tratando o caso, que continua sob análise detalhada pelas instâncias competentes.



