Corpo de ajudante de cozinha baleado em operação no Morro dos Prazeres é velado no Rio
Corpo de ajudante baleado em operação é velado no Rio

Velório de ajudante de cozinha morto em operação policial no Morro dos Prazeres ocorre no Rio

O corpo do ajudante de cozinha Leandro Silva Souza, de 30 anos, foi velado na manhã desta sexta-feira (20) no Cemitério do Catumbi, no Rio de Janeiro. A vítima foi morta durante uma operação da Polícia Militar no Morro dos Prazeres, na região central da cidade, na última quarta-feira (18). Por volta das 10h, o corpo foi levado para o Aeroporto Internacional do Galeão, de onde seguiu para o Piauí, terra natal de Leandro. O sepultamento está marcado para este sábado (21) em Milton Brandão, município do estado nordestino.

Solidariedade e sonhos interrompidos

Durante o velório, amigos e parentes prestaram solidariedade à viúva Roberta Hipólito, que estava na casa no momento em que o marido foi morto. De acordo com o irmão de Leandro, o casal planejava ter um bebê e o sonho do ajudante de cozinha era construir uma casa própria. O patrão de Leandro ressaltou que o morador era um homem honesto, dedicado ao trabalho e solidário com todos ao seu redor.

O translado do corpo para o Piauí foi bancado por amigos de um time de futebol que Leandro frequentava, com a ajuda adicional do empregador da vítima. A família enfrentou dificuldades burocráticas, pois os documentos pessoais de Leandro desapareceram após a operação, complicando os trâmites para o sepultamento em sua cidade natal.

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Versões contraditórias sobre a morte

Enquanto a Polícia Militar afirma que a casa foi invadida por criminosos que fizeram o casal refém e que houve tentativa de negociação antes de um confronto, a viúva Roberta nega completamente essa versão dos fatos. Ela relata que os policiais chegaram atirando e que não houve qualquer troca de tiros ou processo de rendição.

A viúva fez uma acusação grave: afirma ter sido orientada por um agente policial a declarar, em depoimento, que os disparos que mataram seu marido partiram de bandidos. "Eu não falei. E nem vou falar porque eu não vi bandido atirando no meu marido", declarou Roberta, acrescentando que não consegue identificar o policial que fez a sugestão porque ele estava com o rosto coberto durante o incidente.

Detalhes da operação policial

A operação foi deflagrada pelo Batalhão de Operações Especiais (Bope) e pela Subsecretaria de Inteligência da PM, com o objetivo de encontrar criminosos ligados a roubos de veículos na região. Ao todo, oito pessoas morreram durante a ação, incluindo Leandro e seis supostos criminosos.

O comandante do Bope, tenente-coronel Marcelo Corbage, descreveu a ação dos criminosos como "covarde" e afirmou que a tropa buscou uma solução pacífica antes do confronto. "Quando a gente tava buscando uma solução pacífica, uma negociação, houve disparos dentro da residência, o qual seu Leandro acabou sofrendo o primeiro PAF na região da cabeça", disse o oficial durante coletiva de imprensa.

Investigações em andamento

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) informou que solicitou as imagens das câmeras corporais dos policiais envolvidos na operação. A Promotoria de Auditoria Militar fez pedido similar à Corregedoria da PM. Quatro policiais militares já foram afastados por mau uso das câmeras corporais durante a ação.

A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) afirmou que o caso segue sob investigação, enquanto a Polícia Civil também conduz apurações independentes. A Polícia Militar emitiu nota lamentando a morte de Leandro durante a operação no Morro dos Prazeres e informou que a apuração depende da perícia técnica, que deverá esclarecer as circunstâncias exatas da ação.

O depoimento oficial da viúva Roberta está marcado para segunda-feira na Delegacia de Homicídios, onde ela deverá apresentar sua versão dos fatos contraditória ao relato policial.

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