Menino de 9 anos é resgatado após 17 meses em cativeiro dentro de van na França
Menino de 9 anos resgatado após 17 meses em van na França

Menino de 9 anos é resgatado após 17 meses em cativeiro dentro de van na França

Um caso chocante de negligência extrema veio à tona em Hagenbach, no leste da França, onde um menino de 9 anos foi resgatado após passar aproximadamente 17 meses vivendo em condições desumanas dentro de uma van estacionada. O resgate ocorreu na segunda-feira, 6 de abril de 2026, quando um vizinho atento ouviu choros persistentes vindos do veículo e imediatamente acionou as autoridades policiais.

Ao abrirem a van, os agentes se depararam com uma cena devastadora: a criança estava nua, severamente desnutrida, encolhida em posição fetal e coberta apenas por um cobertor sujo. O menino estava deitado sobre um amontoado de lixo e próximo a fezes, apresentando uma palidez extrema e debilitação física alarmante. As autoridades relataram que, após quase dois anos praticamente imóvel, ele já havia perdido a capacidade de andar.

Pai admite cativeiro por medo de internação psiquiátrica

Segundo informações da promotoria, o pai da vítima, de 43 anos, admitiu ter mantido o filho confinado no veículo desde novembro de 2024. Em seu depoimento, o homem justificou a ação afirmando que temia que sua companheira internasse o menino em um hospital psiquiátrico. A própria criança, em relato aos investigadores, mencionou ter conflitos com a madrasta, que supostamente "não o queria mais em casa".

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A mulher, no entanto, negou qualquer conhecimento sobre o cativeiro do menino. Ela declarou ter ouvido barulhos estranhos vindos da van e questionado se havia alguém ali, mas afirmou não ter recebido resposta. Contradizendo essa versão, a meia-irmã de 10 anos da vítima contou à polícia que a mãe também ouviu os sons e perguntou sobre a origem, recebendo como explicação que se tratava do miado de um gato.

Condições degradantes e última higiene em 2024

Durante o período de confinamento, o pai alegou levar comida duas vezes ao dia, fornecer água e permitir contato por celular. A criança, no entanto, era forçada a usar garrafas e sacos de lixo para suas necessidades básicas. Em um depoimento comovente, o menino revelou que seu último banho ocorreu no final de 2024, quando ainda tinha 7 anos de idade.

A investigação aponta que o menino permanecia dentro do veículo inclusive durante os deslocamentos diários do pai, que utilizava a van para trabalhar. No verão europeu anterior, ele foi autorizado a entrar no apartamento familiar apenas quando a família estava viajando de férias, evidenciando um planejamento macabro de isolamento.

Desfecho judicial e proteção às crianças

O pai foi formalmente indiciado pelos crimes de sequestro e privação de cuidados, permanecendo preso aguardando julgamento. A madrasta foi acusada por omissão de socorro e está sob supervisão judicial rigorosa. As três crianças envolvidas – o menino de 9 anos, sua irmã de 12 e a meia-irmã de 10 – foram colocadas sob proteção integral do Estado francês.

Este caso alarmante levanta sérias questões sobre vigilância comunitária e proteção infantil, enquanto as autoridades continuam investigando possíveis falhas no sistema que permitiram que essa situação persistisse por tanto tempo. A recuperação física e psicológica do menino agora é prioridade absoluta para os serviços sociais franceses.

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