Brasil registra mais de 1,4 mil feminicídios em 2025, maior número da série histórica
Em 2025, o Brasil atingiu um triste recorde ao registrar 1.470 feminicídios, uma média de quatro assassinatos por dia. Além disso, foram contabilizadas 3.702 tentativas de feminicídio, o equivalente a dez ocorrências diárias. Esses números representam os maiores índices da série histórica, com um crescimento ano após ano, evidenciando uma crise alarmante de violência de gênero no país.
Dor que não passa: o caso de Ana Carolina
A perda de uma filha assassinada é uma ferida que permanece aberta. "Eu mais existo, do que vivo, porque tudo me lembra ela", desabafa Natalie Pereira da Cunha, mãe de Ana Carolina Pereira Santana. A jovem foi morta a facadas pelo namorado, Lucas Alves Pereira, em fevereiro de 2025. Até hoje, Natalie não consegue compreender a brutalidade da violência sofrida pela filha. "Eu achava que quando ela estava com ele, ela estava segura. Eu acho que foi ciúme, mas nunca transpareceu nada, senão tinha protegido minha filha", afirma a mãe, em um relato que reflete a dor de milhares de famílias.
Números ainda podem aumentar
Os dados de 2025 são preliminares e tendem a crescer, pois estados como São Paulo, Alagoas, Pernambuco e Paraíba ainda não incluíram os feminicídios registrados em dezembro no sistema do Ministério da Justiça. Isso indica que a realidade pode ser ainda mais grave do que os números atuais sugerem.
Evolução legal e desafios na aplicação
O feminicídio foi incluído na legislação brasileira como um agravante do homicídio em 2015. Nove anos depois, em 2024, passou a ser considerado um crime autônomo, definido como matar uma mulher pela simples razão de ser mulher. A pena máxima aumentou de 30 para 40 anos, tornando-se a punição mais severa prevista na lei brasileira. No entanto, os números crescentes mostram que essas mudanças legais não têm sido suficientes para inibir os criminosos.
Especialistas apontam caminhos para combater a violência
Para Mario Sarrubbo, secretário nacional de Segurança Pública, é crucial investir na estrutura de acolhimento das delegacias e no treinamento dos agentes públicos. "Quando a mulher se sente segura e acolhida no momento em que faz a primeira denúncia, ela volta na segunda agressão, e a partir daí conseguimos, com medidas protetivas e a legislação, estancar o feminicídio", comenta.
Natália Pollachi, diretora de Projetos do Instituto Sou da Paz, reforça a necessidade de mais investimentos em medidas urgentes para salvar vidas. "A gente tem, felizmente, uma geração de mulheres que cada vez aceita menos ser sujeita a diversos tipos de violência – física, psicológica, patrimonial, sexual. É preciso fazer cumprir as medidas protetivas, como afastamento do lar, uso de tornozeleira eletrônica ou apreensão de arma de fogo. Essas medidas precisam ser implementadas de fato", destaca.
Conclusão
Os dados de 2025 revelam uma epidemia de feminicídios no Brasil, com números recordes que exigem ações imediatas. A combinação de fortalecimento legal, investimento em segurança pública e aplicação efetiva de medidas protetivas é essencial para reverter essa triste realidade e proteger as mulheres em situação de risco.