Advogada vive com medo após agressão do ex em Goiânia e denuncia sensação de impunidade
Advogada vive com medo após agressão do ex em Goiânia

Advogada denuncia agressão do ex e relata viver com medo seis meses após violência em Goiânia

Seis meses após formalizar denúncia contra o ex-companheiro por agressão, a advogada Carolina Câmara Carvalho Bandeira, de 28 anos, afirma que continua enfrentando medo e uma profunda sensação de impunidade na capital goiana. Apesar de ter acionado todas as instâncias legais disponíveis, incluindo medidas protetivas e múltiplos registros de ocorrência, a insegurança persiste em seu cotidiano.

“Eu fiz tudo o que estava ao meu alcance. Denunciei, pedi ajuda, confiei plenamente no sistema de proteção. E mesmo assim, continuo vivendo com medo constante”, declarou Carolina em entrevista exclusiva. O Ministério Público já denunciou o ex-companheiro por lesão corporal, e o caso encontra-se em tramitação no Poder Judiciário, com audiência marcada para maio deste ano.

Relato detalhado da vítima sobre escalada da violência

Carolina descreveu ao g1 que as agressões iniciaram de forma psicológica e foram gradualmente intensificando ao longo do relacionamento, que durou aproximadamente três anos. Segundo seu relato, o cenário incluía xingamentos frequentes, controle emocional abusivo e episódios recorrentes de violência física.

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“Não existe um agressor que começa diretamente com atos letais. A violência doméstica segue uma escalada perigosa. Inicia com palavras ofensivas, depois evoluem para empurrões e agressões físicas mais graves”, explicou a advogada.

Sobre o episódio específico que motivou a denúncia formal, ela detalhou que foi empurrada com força durante uma discussão, resultando em ferimentos significativos. “Ele me empurrou violentamente da cama, eu caí e cortei a pele. Ficou uma lesão extensa e roxa na minha perna. Foi uma reação completamente desproporcional à situação”, afirmou. Vizinhos, ao ouvirem os gritos, acionaram a Polícia Militar, o que resultou no registro imediato da ocorrência e na prisão em flagrante do ex-companheiro naquele mesmo dia.

Medidas protetivas e supostos descumprimentos

Após o incidente, a Justiça concedeu medida protetiva de urgência, determinando o uso de tornozeleira eletrônica pelo investigado. Paralelamente, Carolina recebeu um botão do pânico, dispositivo que emite alertas automáticos quando detecta proximidade com o agressor.

Entretanto, a advogada relata ter registrado diversas ocorrências por suposto descumprimento das medidas protetivas, além de múltiplos acionamentos do dispositivo de segurança, inclusive durante períodos noturnos. “O que deveria ser um instrumento de proteção e segurança transformou-se em uma ferramenta de terror psicológico constante”, desabafou, ao mencionar episódios em que o alarme foi disparado repetidamente sem justificativa aparente.

Posicionamento da defesa do investigado

A defesa de Gabriel Bessa Braga emitiu nota oficial informando que todos os registros relacionados a supostos descumprimentos de medidas protetivas foram minuciosamente apurados e posteriormente arquivados, devido à ausência de elementos concretos que justificassem a continuidade das investigações.

Segundo os advogados, não houve qualquer comprovação de contato indevido ou aproximação voluntária por parte do acusado, e os registros foram considerados baseados em interpretações subjetivas, sem lastro probatório suficiente para sustentar as alegações. A defesa reforçou que o caso principal, referente à lesão corporal, segue em fase de instrução processual e que todos os fatos serão devidamente esclarecidos no curso regular do processo judicial.

Processo judicial e busca por visibilidade

O caso permanece sob análise do Judiciário goiano, com audiência preliminar agendada para o mês de maio. Carolina afirma que decidiu tornar a situação pública intencionalmente, com o objetivo de chamar atenção para o que considera serem falhas estruturais no atendimento às vítimas de violência doméstica no país.

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“O problema não reside na falta de denúncias. Não é questão de ausência de provas. Trata-se de um sistema que, em muitos aspectos, ainda falha em proteger efetivamente aqueles que mais precisam”, concluiu a advogada, destacando a necessidade de aprimoramentos nos mecanismos de proteção e no acompanhamento jurídico desses casos.