Família denuncia abandono de corpo de jovem em hospital do Acre com urubus no local
Abandono de corpo em hospital do Acre com urubus no local

Família denuncia abandono de corpo de jovem em hospital do Acre com presença de urubus

A família de Gabriel Manuares da Silva, de 23 anos, encontrado morto na última segunda-feira (20) dentro do Rio Acre em Manoel Urbano, no interior do estado, após dois dias desaparecido, está revoltada com a forma como o corpo do jovem foi armazenado dentro da Unidade Mista de Saúde do município. Imagens gravadas pelos familiares mostram o cadáver em cima de uma maca dentro de um saco, com sangue visível embaixo. Em outros registros, é possível ver urubus sobrevoando a unidade de saúde nesta terça-feira (21).

Negligência na conservação do corpo

Denifa de Souza do Nascimento, tia de Gabriel, afirmou que houve negligência em relação à conservação do corpo na unidade de saúde. "Chegamos era quase 7h [desta terça, 21] e os urubus estavam quase entrando dentro da sala porque não tinha ninguém olhando. Fomos os primeiros a chegar e ficamos vigiando, pois tinha muitos urubus voando próximo ao local e andando perto da porta [da sala] onde estava o corpo dele. A porta não fecha", detalhou.

Segundo ela, o corpo de Gabriel estava dentro de um saco, apenas com um pano por cima e com muito sangue pingando no chão da sala. "O corpo ficou bastante tempo lá e até as moscas chegaram a pousar e depositar larvas nele. É uma situação muito difícil", lamentou.

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Resposta das autoridades

O g1 entrou em contato com a Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) e aguarda retorno. Já o Instituto Médico Legal (IML), por sua vez, disse que "apesar da intercorrência registrada, não houve prejuízo ao corpo nem à perícia que será realizada" e explicou que ocorreu uma mudança na escala de atendimento, não comunicada à direção do Instituto.

Na manhã desta terça (21), um veículo do IML de Rio Branco retirou o cadáver da unidade de saúde e levou para a capital para exames, que devem constatar a causa da morte.

Desaparecimento e histórico do jovem

O rapaz estava desaparecido desde o último sábado (18). Segundo relatos da família, Gabriel sofreu um suposto surto psicótico enquanto ingeria bebida alcoólica. A tia de Gabriel disse que ele consumia bebida alcoólica no sábado quando, de forma inesperada, começou a correr pelas ruas e subir em telhados das casas.

"Tivemos informação que ele tinha subido em cima do telhado de três casas, caiu na última casa e ficou desmaiado no chão. Depois, ele levantou e foi para dentro do rio. Isso foi no sábado [18], na madrugada. Falaram que, por medo dele estar armado, saíram de perto, mas ninguém sabe se a história foi essa mesmo", contou.

Conforme Denifa, a família chegou a esperar a volta de Gabriel para casa no domingo (19). Porém, com a falta de retorno, decidiram fazer buscas próximo ao rio. A família ainda pediu ajuda dos moradores em uma divulgação nas redes sociais.

"Não tínhamos encontrado nenhuma informação sobre onde é que tinham visto ele. As pessoas que o viram por último, que disseram que ele desceu para o porto, falaram que escutaram um barulho na água", disse.

Problemas no atendimento

Com essas informações, a família decidiu fazer um boletim de ocorrência na delegacia da cidade no domingo (19), porém, não foi possível porque o local estava fechado e as equipes estavam em uma missão na estrada. O boletim foi feito por volta das 4h da madrugada de segunda (20).

"O policial que estava ontem [domingo, 19] no plantão disse que o IML tinha sido acionado às 16h e que ia chegar às 20h ou 21h. Quando deu esse horário, não chegaram, decidimos ir até o hospital e o corpo passou a noite toda lá. O IML chegou somente agora, às 11h", afirmou.

De acordo com Denifa, foi um vizinho, de uma colônia próxima à cidade, quem encontrou o corpo de Gabriel no rio na tarde de segunda, levou até às margens e avisou a família.

Histórico pessoal

Denifa disse também que após a morte da mãe, quando ainda era criança, Gabriel lidava com o luto e tinha histórico de ter crises, mas nenhuma com a mesma intensidade como esta última. De acordo com ela, a família não sabe se o jovem usava algum tipo de substância ilícita.

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"Ele perdeu a mãe dele muito novo e, toda vez que consumia bebida alcoólica, ele chorava muito. Tinha tipo essas crises, mas nunca chegou a fazer o que ele fez essa última vez. Antes fazer isso, ele chegou na minha casa e falou que ia morrer naquele dia", descreveu.

Segundo ela, a avó era a responsável pela criação de Gabriel. Ela, inclusive, passou mal ao ver o estado do corpo do jovem. "Ele chamava a avó de mãe, que criou dele desde muito pequeno", comentou.

Nota oficial do IML

A Polícia Civil do Acre, por meio do Instituto Médico Legal (IML), informa que houve uma alteração na escala de atendimento da regional responsável pelo município de Manoel Urbano. No entanto, essa mudança não foi devidamente comunicada à direção do IML em Rio Branco, unidade responsável por coordenar e realizar os ajustes operacionais necessários para esse tipo de ocorrência.

Às 23h, a direção do IML na capital tomou ciência do ocorrido e, de imediato, iniciou os procedimentos para a remoção do corpo. Ressalta-se que o município de Manoel Urbano está localizado a mais de 230 quilômetros de Rio Branco, o que exige uma logística específica para o deslocamento da equipe técnica, podendo ocasionar maior tempo de resposta.

O IML esclarece, ainda, que apesar da intercorrência registrada, não houve prejuízo ao corpo nem à perícia que será realizada, estando garantidas as condições necessárias para os exames legais. A Polícia Civil do Acre se solidariza com os familiares neste momento de dor e reforça seu compromisso com a transparência e a eficiência na prestação dos serviços à população.