Lufthansa cancela 20 mil voos e corta rotas após disparada no custo do combustível
Lufthansa cancela 20 mil voos por alta do combustível

Lufthansa cancela 20 mil voos e corta rotas após disparada no custo de combustível

A companhia aérea alemã Lufthansa anunciou nesta terça-feira, 21 de abril de 2026, um dos maiores cortes já realizados por uma transportadora aérea global, com o cancelamento de 20.000 voos de curta distância entre maio e outubro. A medida é uma resposta direta à alta dos preços do querosene de aviação, que dobrou desde o início da guerra desencadeada por ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã.

"O preço do querosene dobrou desde o início do conflito com o Irã", afirmou a empresa em comunicado oficial, destacando que os cortes equivalem à economia de aproximadamente 40.000 toneladas métricas de combustível. A partir desta segunda-feira, a Lufthansa já cancelou cerca de 120 voos diários e vai abandonar rotas não lucrativas saindo de Munique e Frankfurt até meados de outubro.

Plano detalhado e reuniões europeias

O plano detalhado para os próximos meses deve ser divulgado no final de abril ou início de maio, conforme informado pela companhia. Os cortes foram confirmados no mesmo dia em que ministros europeus de transporte se reuniram para discutir formas de evitar uma escassez de querosene na região. A Agência Internacional de Energia (AIE) alertou que a Europa tem menos de seis semanas de reservas de combustível de aviação.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

O comissário europeu de Transportes, Apostolos Tzitzikostas, revelou que a União Europeia estuda a possibilidade de importar um tipo de querosene americano não utilizado rotineiramente na Europa, o que poderia permitir que as companhias aéreas abastecessem aeronaves com maior volume de combustível fora do continente. Também está em análise a flexibilização das regras de uso de slots em aeroportos, que exigem que as aéreas utilizem a capacidade disponível.

Crise global e impactos em outras companhias

A disparada nos preços está ligada, sobretudo, ao fechamento do Estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais de transporte de petróleo, afetada pelo conflito com o Irã. Diante do aumento de custos, companhias aéreas ao redor do mundo têm reagido com cortes de voos, reajustes de tarifas e introdução de sobretaxas de combustível.

  • Nos Estados Unidos, a Delta Air Lines anunciou cortes equivalentes a 3,5% de sua malha para recuperar US$ 1 bilhão em custos, e está especialmente exposta à alta porque não faz hedge — proteção financeira que trava o preço do combustível por antecedência.
  • Na Ásia, empresas como Cathay Pacific, AirAsia X e Air New Zealand também já anunciaram cortes de rotas para conter gastos.
  • Mesmo as europeias que utilizam hedge foram atingidas. A EasyJet alertou na semana passada para um prejuízo maior do que o esperado no período de inverno por causa do combustível, enquanto a Virgin Atlantic disse que terá dificuldade em voltar ao lucro este ano, apesar do aumento de tarifas.

A Comissão Europeia deve anunciar nesta quarta-feira um plano de monitoramento de estoques de querosene e eventual redistribuição entre países membros, em uma tentativa de mitigar os efeitos da crise energética que afeta o setor de aviação globalmente.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar