Vídeo mostra adolescente em exaustão após castigo imposto por pastor no MA
Vídeo mostra adolescente exausto após castigo de pastor no MA

Um novo vídeo que integra o inquérito policial revela um adolescente em estado de exaustão após ser submetido a um castigo imposto pelo líder religioso David Gonçalves, da igreja Shekinah House Church, em Paço do Lumiar, na Região Metropolitana de São Luís, Maranhão. A punição consistiu em ficar horas em pé, sem dormir, como forma de correção. Segundo a polícia, o jovem foi forçado a passar uma noite inteira escrevendo a frase: "Eu preciso aprender a respeitar meu líder."

Nos últimos dias, mais de dez pessoas procuraram a polícia para denunciar o pastor, acusado de abusos físicos e psicológicos contra adolescentes. David Gonçalves foi preso no dia 17 de abril deste ano durante a operação "Falso Profeta", da Polícia Civil do Maranhão (PC-MA). Natural do Ceará, ele é acusado de usar a igreja para aplicar castigos físicos e punições psicológicas contra fiéis. Após mais de dois anos de investigações, foi detido pelos crimes de estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa.

Investigação e depoimentos das vítimas

De acordo com as investigações, o pastor aplicava castigos a jovens que descumpriam regras impostas por ele. Entre as vítimas, há relatos de pessoas de outros estados. "Já apanhei, já fiquei sem refeição, já fiquei trancada no quarto sem poder falar com ninguém. Ele também pedia para as pessoas lá do local me tratarem como louca", afirmou uma das vítimas do líder religioso.

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A Polícia Civil do Maranhão investiga o pastor David Gonçalves Silva, suspeito de comandar um sistema de castigos físicos e punições psicológicas contra fiéis da igreja Shekinah House Church. Ele foi preso na última sexta-feira (17), durante a operação Falso Profeta. O pastor é investigado por crimes de estelionato, estupro de vulnerável, posse sexual mediante fraude e associação criminosa.

Relatos de abusos desde a adolescência

Segundo depoimentos das vítimas, a igreja mantinha um sistema organizado de punições físicas e psicológicas. "Eu cheguei com 13 anos de idade. Estava na rua, em situação de vulnerabilidade, e pensando que estava me refugiando para ter uma ajuda, mas infelizmente vivi uma prisão por vários anos. Até hoje sou traumatizado por conta de tudo que vivi, por conta de abuso sexual e psicológico", disse uma das vítimas.

O delegado Sidney Oliveira, titular da Delegacia de Paço do Lumiar, informou que a investigação durou cerca de dois anos e começou após denúncias de ex-fiéis. O inquérito já identificou entre cinco e seis vítimas relacionadas aos crimes. A partir do depoimento de uma vítima, outras pessoas foram identificadas e ouvidas, inclusive nos estados do Pará e do Ceará. O pastor, que está preso preventivamente, deve passar por audiência de custódia no sábado (18).

Sistema de punições e controle

De acordo com a polícia, o sistema de punições ajudou o pastor a manter controle sobre cerca de 100 a 150 fiéis por anos. Entre as vítimas estão pessoas em situação de extrema vulnerabilidade, que procuraram a igreja em busca de ajuda, como um jovem que chegou ao local aos 13 anos, quando vivia em situação de rua. As agressões eram frequentes e tinham nomes específicos. Um dos castigos aplicados era chamado de "readas", que consistia em chicotadas com um reio, um tipo de chicote geralmente usado em cavalos.

De acordo com uma das vítimas, os castigos eram aplicados sempre que alguém descumpria regras internas ou contrariava ordens do pastor. O g1 teve acesso a um dos áudios atribuídos ao pastor que indicam também a privação de comida como forma de punição. Em uma das gravações, ele afirma: "Até resolver a situação da bomba, estão sem comer".

Prints e evidências das agressões

Segundo prints de mensagens enviadas por uma das vítimas à TV Mirante, o pastor dava ordens diretas, como "readas geral", e determinava quantos golpes cada fiel deveria receber. Em um dos casos, quatro vítimas sofreram entre 15 e 25 chicotadas cada. Ainda de acordo com a denúncia, o pastor se referia aos fiéis como "piões" e o local onde dormiam era chamado de "baia".

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A investigação aponta que as agressões físicas e psicológicas também eram usadas como forma de pressão para a prática de abusos sexuais. "Se a gente não fizesse o que ele queria, a gente era punido. Ele deixava a gente de canto, fazia a gente ficar sem comer, fazia a gente apanhar se a gente não fizesse o desejo dele", disse uma das vítimas.