Em janeiro deste ano, Felipe Cançado Vorcaro, primo do banqueiro Daniel Vorcaro, conseguiu escapar de ser preso pela Polícia Federal ao fugir de casa em um carrinho de golfe, menos de vinte minutos antes da chegada dos agentes. Ele foi detido nesta quinta-feira, 7, por suspeita de realizar pagamentos de propina do Banco Master ao senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do PP.
Fuga em Trancoso
Segundo as investigações, Felipe Vorcaro estava em um imóvel de luxo no prestigiado Condomínio Terravista, em Trancoso (BA), no dia 14 de janeiro de 2026. Naquela data, ele seria alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, da PF, mas os agentes chegaram ao local e encontraram a casa vazia.
Imagens do circuito de segurança obtidas pela PF revelam que Felipe se reuniu com outro homem, não identificado, por volta das 5h daquele dia. Os dois conversaram na área do deck da piscina por cerca de vinte minutos e deixaram a residência às 5h41, dezoito minutos antes da chegada da polícia ao endereço. A investigação aponta que o outro suspeito checou repetidamente o celular antes da fuga.
Cenário de fuga às pressas
Quando chegaram ao local, os policiais encontraram o ar-condicionado ligado, roupas de cama desarrumadas e objetos pessoais espalhados pela casa, o que evidencia um cenário de fuga às pressas. Por outro lado, não foram encontrados computadores, celulares ou outros dispositivos eletrônicos, demonstrando que “a evasão foi acompanhada de retirada seletiva de objetos diretamente relacionados à investigação”, segundo a PF.
Para a polícia, o encontro na madrugada e a “escapada” são fortes indícios de que Felipe Vorcaro teria acesso privilegiado a informações sobre as investigações. Ele foi preso temporariamente por ordem do ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal, com duração inicial de cinco dias e possibilidade de extensão conforme o desenrolar das investigações.
Relação com o Banco Master
Primo de Daniel Vorcaro, Felipe é apontado como o principal mediador entre o banqueiro e Ciro Nogueira, que teria recebido entre 300.000 e 500.000 reais por mês em propina em troca da aprovação de projetos de lei que seriam favoráveis às atividades ilícitas do Banco Master. O pai de Felipe, Oscar Vorcaro, era o administrador da empresa BRGD S.A, identificada como fonte dos pagamentos irregulares ao senador.



