O investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves foi condenado a dois anos de prisão, em regime aberto, pelo assassinato do policial militar Thiago de Souza Ruiz. O crime ocorreu em abril de 2023, em um posto de conveniência em Cuiabá. A decisão foi tomada pelo Tribunal do Júri nesta quinta-feira (14).
Detalhes da condenação
O Conselho de Sentença reconheceu que Mário Wilson foi o autor dos disparos que atingiram o policial militar e não o absolveu. Além da pena, foi determinada a retirada da tornozeleira eletrônica do réu. A defesa informou que analisará se recorrerá ou não da decisão.
Julgamento de três dias
O júri começou na terça-feira (12) e se estendeu até quinta-feira (14). Durante esses dias, diversas testemunhas foram ouvidas e o réu apresentou sua versão dos fatos.
Primeiro dia (12/05)
Quatro pessoas foram ouvidas, incluindo a ex-convivente da vítima, Walkuíria Filipaldi Corrêa; o delegado plantonista da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), André Eduardo Ribeiro; Gilson Vasconcelos Tibaldi de Amorim Silva e Walfredo Raimundo Adorno Mourão Júnior, ambos presentes no momento dos disparos. Durante o depoimento, Walfredo se emocionou e pediu desculpas à mãe de Thiago por não ter conseguido salvar o amigo.
Segundo dia (13/05)
Foram ouvidos os delegados da Polícia Civil José Ricardo Garcia Bruno, Guilherme Bertoli, André Monteiro e Guilherme Facinelli. A acusação também contou com a participação do advogado assistente da família da vítima, Rodrigo Pouso.
Terceiro dia (14/05)
O réu apresentou pela primeira vez sua versão sobre o crime. Mário Wilson afirmou que conheceu Thiago em um encontro casual e que passou a desconfiar da identidade dele como policial militar. Segundo ele, a vítima estava alterada e armada, o que aumentou a tensão. O acusado disse que tomou a arma de Thiago para conter a situação e que, em seguida, os dois entraram em luta corporal. Os disparos ocorreram enquanto ele estava no chão, sendo imobilizado pela vítima. A defesa sustenta que o policial civil agiu em legítima defesa. O momento foi encenado ao júri.
O interrogatório foi adiado após o Ministério Público solicitar o depoimento do sargento Éder Leal Caetano, comandante do batalhão onde Thiago atuava, para esclarecer a origem da arma. A defesa também pediu o depoimento do coronel Marcos Eduardo Ticianel Paccola, autorizado pelo juiz.
Próximos passos
Na noite de quinta-feira, o julgamento entrou na fase de debates entre acusação e defesa, com 90 minutos para cada parte, além de réplica e tréplica de uma hora. Após os debates, os jurados votarão os quesitos para definir a condenação ou absolvição. A expectativa é encerrar o julgamento ainda na quinta-feira.
Relembre o caso
Em abril de 2023, equipes do DHPP e da Corregedoria-Geral foram acionadas para atender um homicídio na conveniência de um posto de combustível ao lado da Praça 8 de abril, em Cuiabá. Thiago foi socorrido e encaminhado a um hospital particular, mas não resistiu aos ferimentos. A PM informou que uma equipe foi ao hospital e encontrou o policial suspeito, que entregou as armas. O policial civil foi preso em flagrante por homicídio qualificado no mesmo dia.



