MP de SP pede prisão preventiva do rapper Oruam, foragido da Justiça
MP pede prisão de Oruam, rapper foragido

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) solicitou à Justiça a prisão preventiva do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido artisticamente como Oruam. Atualmente, o músico encontra-se foragido em razão de outro processo judicial em andamento no estado do Rio de Janeiro.

Defesa não se manifesta

O advogado Fernando Henrique Cardoso, que representa Oruam, não atendeu à ligação telefônica realizada pela reportagem às 14h53 e tampouco respondeu à mensagem de texto enviada. Até o momento, não há posicionamento oficial da defesa sobre o pedido do MP.

Pedido de prisão

A solicitação foi protocolada pelo promotor Alan Carlos Reis Silva no dia 5 de maio, no âmbito de uma investigação sobre disparo de arma de fogo ocorrido durante uma festa. O pedido será analisado pelo Poder Judiciário, que poderá decretar a prisão ou negar a medida. Não há prazo definido para a decisão.

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O incidente

No dia 16 de dezembro de 2024, Oruam efetuou um disparo de espingarda em meio a diversas pessoas na cidade de Igaratá, interior de São Paulo. O ato foi filmado e posteriormente divulgado em redes sociais, gerando grande repercussão.

Investigações em andamento

No pedido, o promotor destaca que Oruam é pessoa de interesse em investigações por crimes de lavagem de dinheiro e suspeito de envolvimento com a facção criminosa Comando Vermelho, além de ser investigado por tentativa de homicídio contra policiais civis do Rio de Janeiro. Segundo Silva, o denunciado encontra-se foragido, inviabilizando a efetividade da jurisdição penal e comprometendo o cumprimento de eventual decreto condenatório. Para o promotor, a condição de foragido evidencia risco concreto e atual de frustração da aplicação da lei.

Processos no Rio de Janeiro

No estado do Rio de Janeiro, Oruam responde por duas tentativas de homicídio qualificado relacionadas a um episódio ocorrido em julho de 2025. Na ocasião, agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes cumpriam um mandado de busca e apreensão contra um menor investigado por tráfico de drogas, que estava na residência do rapper, localizada no Joá, zona sudoeste do Rio.

De acordo com a Promotoria, Oruam e outro acusado teriam arremessado pedras contra os policiais, assumindo o risco de causar a morte dos agentes. Além das acusações de tentativa de homicídio, o rapper também responde por resistência, desacato, ameaça e dano qualificado. O oficial de cartório sofreu ferimentos nas costas e no calcanhar esquerdo, enquanto o delegado precisou se esconder atrás de um carro da polícia para não ser atingido. Um trecho da denúncia, assinada pelo promotor Eduardo Paes Fernandes, afirma que ambos tiveram que se esconder e desviar dos constantes arremessos, que persistiram com elevada intensidade e com clara intenção de atingi-los.

Foragido

Atualmente, Oruam é considerado foragido após a revogação de um habeas corpus e o restabelecimento da prisão preventiva, motivados pelo descumprimento de medidas cautelares, incluindo regras relacionadas ao uso de tornozeleira eletrônica.

Outras investigações

Além desse processo, o rapper também é investigado em outra operação. No fim de abril, ele foi incluído na lista de procurados em uma ação da Polícia Civil contra um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Comando Vermelho. Também foram alvos da operação a mãe do cantor, a empresária Márcia Gama, e o irmão Lucas Santos Nepomuceno. Márcia já havia sido alvo de prisão em março, durante a Operação Contenção Red Legacy, mas não foi localizada. No início de abril, a Justiça do Rio concedeu habeas corpus à mãe do rapper, que deixou de constar na lista de procurados. Atualmente, segundo as investigações, o rapper e o irmão seguem foragidos.

Filiação

Oruam é filho de Marcinho VP, 55 anos. O traficante é líder máximo do Comando Vermelho e considerado de alta periculosidade pela polícia. Sua prisão ocorreu em setembro de 1996 sob acusação de comandar o tráfico no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio. Ele possui condenações que somam 55 anos e oito meses de reclusão e está detido em presídio federal.

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