Fim da revisão da vida toda: aposentados perdem último recurso no STF
Fim da revisão da vida toda no STF: aposentados perdem recurso

O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou um pedido de destaque em uma das ações que discutia a tese da revisão da vida toda para aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Com essa decisão, os aposentados perderam o último recurso que ainda mantinha alguma esperança de um resultado favorável.

O que era o destaque e por que ele era importante?

O destaque faria com que a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 2.111, que estava em análise no plenário virtual, passasse por um novo julgamento presencial. Isso representava uma possibilidade de o processo ser rediscutido na corte, com chances de um resultado mais positivo para os segurados. No entanto, ao retirar o destaque, Fachin encerrou essa possibilidade.

Decisão do STF em março de 2025

O Supremo já havia negado a revisão da vida toda aos aposentados no último dia 15, reafirmando o entendimento firmado em 2024 e 2025. A corte concluiu o julgamento de recurso no plenário virtual, no Tema 1.102, que trata diretamente da correção, e manteve sua posição contrária por oito votos a dois. Fachin havia pedido destaque na ADI 2.111, que trata sobre o fator previdenciário, mas também discutia a revisão. Ele havia concordado com o posicionamento do ministro Dias Toffoli. Nesta terça-feira (19), ele retirou o destaque.

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Voto do ministro Dias Toffoli

Toffoli votou para garantir a revisão da vida toda a aposentados que tenham direito a ela e que entraram com ação na Justiça entre 16 de dezembro de 2019 e 5 de abril de 2024. Essas datas correspondem ao período em que a tese foi aprovada no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, depois, derrubada no Supremo. Ele diverge dos colegas e apresenta entendimento diferente ao que já tinha demonstrado em 2024, quando foi contra a revisão. Para Toffoli, é preciso garantir o direito àqueles que buscaram a Justiça após decisão positiva das cortes superiores.

Argumento de quebra de confiança

Em seu voto, o ministro argumenta que houve uma "quebra de confiança", já que decisões anteriores tanto do STJ quanto do próprio STF — que aprovou a revisão da vida toda em 2022 — criaram uma expectativa legítima entre os aposentados. Segundo ele, a mudança de posição pode prejudicar pessoas em situação de vulnerabilidade, que organizaram suas finanças com base no entendimento anterior.

Voto do relator Kassio Nunes Marques

Toffoli foi contrário ao relator desta ação, ministro Kassio Nunes Marques, que tem votado contra a revisão da vida toda desde o início. Nunes Marques negou o recurso, por entender que o que se busca é modificar a decisão do STF de que a revisão não é válida. Segundo o relator, as alegações trazidas não são novas, mas sim uma reiteração de argumentos já apresentados e rejeitados pela corte em fases anteriores do processo.

Votos dos demais ministros

Votaram com o relator os ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Luiz Fux. Falta o voto de André Mendonça. Esse foi o mesmo entendimento do ministro Alexandre de Moraes, relator do Tema 1.102. Ele negou os recursos naquela ação e mandou encerrar definitivamente o caso. Seu posicionamento foi seguido pelos ministros Cristiano Zanin, Gilmar Mendes, Cármen Lúcia, André Mendonça, Luiz Fux, Flávio Dino e Kassio Nunes Marques. Apenas Toffoli e Fachin discordaram e, como a outra ação ainda estava em aberto, os aposentados tinham alguma esperança.

O que é a revisão da vida toda?

A revisão da vida toda é uma ação judicial na qual os aposentados do INSS pedem para serem incluídas na conta da aposentadoria contribuições feitas em outras moedas, antes do Plano Real. Em março de 2025, o Supremo derrubou a correção mesmo após tê-la aprovado em 2022. Um recurso de 2025 foi negado por 8 votos a 3 em novembro daquele ano.

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Regra de transição de 1999

A correção foi originalmente negada em março de 2024, quando o STF decidiu que a regra de transição criada pela reforma de 1999 é constitucional e cogente, ou seja, obrigatória, e deve ser aplicada a todos os segurados que se enquadram nela. Essa regra determina que o cálculo do benefício considere apenas contribuições feitas a partir de julho de 1994, após o Plano Real. O Supremo concluiu que não existe direito de escolha entre regras de cálculo, inviabilizando esse tipo de recálculo, ou seja, acabando com a possibilidade de revisão da vida toda.

Impacto da decisão

Com a decisão, o governo sai vitorioso da ação. Segundo a Procuradoria-Geral Federal (PGF), a rejeição total dos embargos era necessária, já que a decisão tomada sobre o fator previdenciário tem efeito vinculante — vale para todos — com aplicação imediata, independentemente se a ação chegou ou não totalmente ao final. A procuradoria também argumentou que não houve mudança brusca de entendimento. Segundo o órgão, a aprovação em 2022 da revisão da vida toda foi um desvio temporário de entendimento.

Modulação dos efeitos

Além disso, afirma que a corte já realizou modulação suficiente ao decidir que não haverá devolução de valores recebidos até 5 de abril de 2024, quando foi publicado julgamento a respeito das duas ADIs, e já isentou os segurados de pagar custas e honorários advocatícios em ações ajuizadas até essa data. Para o INSS, permitir uma nova modulação que mantenha pagamentos para alguém que já havia ganhado o caso seria obrigar a continuidade de o INSS arcar com benefícios considerados indevidos. Os gastos previstos anteriormente com a revisão giram em torno de R$ 480 bilhões.