Denúncias graves apontam problemas estruturais e de atendimento no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS), que agora será alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Uma gestante que perdeu o bebê durante o parto relatou à TV TEM a falta de assistência adequada. Lauren Andreoli afirmou que o filho não recebeu o suporte necessário no nascimento. "Não tem dinheiro que pague a vida dele. O que eu queria era ele comigo. E isso ninguém vai conseguir trazer de volta", desabafou.
Relato de dor e luta por melhores condições
A mãe da paciente, Caroline Andreoli, destacou que, apesar da dor do luto, é essencial discutir o problema para que a situação da saúde no CHS melhore. "Nenhuma mãe merece entrar lá com a barriga enorme e sair de mãos vazias. Nós queremos dar voz e mostrar o que está acontecendo, para que deem mais atenção às vidas, não só ao bolso", afirmou.
Condições precárias e risco de infecções
Pacientes também relatam longas esperas por vagas ou quartos, além de equipamentos quebrados, portas e paredes danificadas e banheiros em péssimo estado. Cintia Lopes, diretora regional do Sindicato da Saúde de Sorocaba (Sinsaúde), alerta que as condições insalubres podem causar infecções graves. "A estrutura precária pode gerar infecções porque as macas não funcionam, têm ferrugem, algumas faltam guarda para proteger o paciente. Na central de material, a temperatura deve ficar entre 19 e 22 graus, mas já chegou a 30 com janelas abertas, o que não é permitido", explicou.
A diretora ainda informou que animais foram encontrados na unidade, invadindo por espaços pequenos e janelas abertas. O conselheiro estadual de saúde, André Pudim, reconheceu que reformas estão sendo feitas, mas são pontuais e insuficientes. "São reformas diretas, como melhorar quartéis, sistema hidráulico e elétrico. Mas muitos setores não têm acessibilidade adequada, elevadores não funcionam e são usados para transportar pacientes, lixo hospitalar e alimentação. Isso traz precariedade para a saúde do paciente", destacou.
CPI vai investigar três frentes principais
O CHS, referência para dezenas de cidades da região, já passou por várias mudanças na diretoria e até de governo, mas continua enfrentando denúncias de descaso. A Câmara Municipal aprovou nesta quarta-feira (22) a instalação de uma CPI com duração de 90 dias, após 11 vereadores assinarem o requerimento. A comissão focará em três pontos: mortes suspeitas e falhas no atendimento; superlotação e uso inadequado de leitos; e atrasos em cirurgias que podem ter agravado o estado dos pacientes.
A criação da CPI foi motivada por um dossiê de 40 páginas apresentado pelo vereador Ítalo Moreira (Missão), após audiência pública em abril. O documento reúne fotos, depoimentos e reportagens sobre a situação do hospital.



