Corpo de maranhense morta em Portugal será trasladado ao Brasil após vaquinha
Corpo de maranhense morta em Portugal será trasladado

A família da maranhense Francisca Maria dos Santos, de 44 anos, conseguiu arrecadar o valor necessário para realizar o traslado do corpo ao Brasil, conforme informaram ao g1 nesta sexta-feira (1º). A vítima foi encontrada morta em fevereiro deste ano em Viseu, Portugal, após passar oito meses desaparecida.

Arrecadação de recursos

O irmão da vítima, o artista plástico Antônio José, afirmou que a previsão é que o corpo chegue ao Brasil na próxima semana, devido a questões burocráticas relacionadas ao feriado internacional do Dia do Trabalho e ao fim de semana. Inicialmente, a família cogitou o sepultamento em Portugal, previsto para a próxima segunda-feira (4), sem a presença de parentes. No entanto, após arrecadar a quantia por meio de vaquinhas e rifas organizadas por amigos e parentes no Brasil e na Alemanha, os trâmites para trazer o corpo foram iniciados ainda na tarde de sexta-feira (30).

“O valor que foi passado pela funerária, a gente conseguiu com a ajuda de uma parente que vive na Alemanha, que fez uma vaquinha, e juntamos com o valor arrecadado aqui no Maranhão. Conseguimos, aos trancos e barrancos, o valor para fazer o traslado. Só tenho a agradecer a todas as pessoas que nos ajudaram”, declarou Antônio José.

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O irmão explicou que a família ainda precisará contratar outro serviço funerário para o transporte até São Luís e, em seguida, até o município de São Bernardo, cidade natal de Francisca. “O que era mais pesado era conseguir fazer o traslado de Portugal para cá, mas agora que conseguimos, essa segunda parte acredito que seja mais fácil”, completou.

Falta de assistência

Antônio José demonstrou indignação com a atuação das autoridades portuguesas e do Governo Brasileiro pela falta de apoio à família durante o período em que Francisca esteve desaparecida. Segundo ele, os parentes só foram informados muito depois da imprensa sobre a localização do corpo e não receberam assistência para lidar com os trâmites burocráticos.

“Foi um processo muito difícil. Só ficamos sabendo que o corpo havia sido localizado muito tempo depois. Tentamos de tudo, enviamos e-mails, falamos com o embaixador, o Itamaraty, políticos locais, mas ninguém conseguiu nos ajudar. Não é todo dia que morre um brasileiro lá fora nessas circunstâncias. É revoltante”, disse o artista plástico.

Desaparecimento e investigação

Francisca foi vista pela última vez em 20 de junho do ano passado, nas proximidades da casa onde morava, em Tabuaço, município do distrito de Viseu, local onde os restos mortais foram encontrados. Próximo ao corpo, estavam chaves e um par de tênis, segundo a imprensa local. No dia do desaparecimento, a vítima teria saído de casa à noite para jogar o lixo em uma lixeira pública.

De acordo com o irmão, Francisca tinha viagem programada para visitar a família no Maranhão. Após o desaparecimento, Antônio viajou para Portugal para acompanhar as investigações e criticou a demora inicial nas respostas e a condução das primeiras buscas.

Vida em Portugal

Natural do povoado Nova Esperança, em São Bernardo, no Maranhão, Francisca morava havia cerca de quatro anos em Portugal, na cidade de Tabuaço. Segundo o irmão, ela informou à família que faria a viagem ao Brasil acompanhada do namorado. Após o relato, a Polícia Judiciária realizou buscas na casa do companheiro.

Francisca trabalhava como cozinheira em um restaurante e, segundo a família, estava bem integrada à cidade. No dia do desaparecimento, a televisão e as luzes da casa ficaram ligadas, levantando suspeitas de que ela possa ter saído às pressas. O desaparecimento foi comunicado no dia seguinte pelo namorado, identificado apenas como Luis, que acionou a polícia portuguesa. O patrão da vítima também percebeu a ausência quando ela não compareceu ao trabalho.

Antônio afirmou que Francisca mantinha contato diário com a família por videochamadas e demonstrava estar feliz com a nova fase da vida em Portugal. O último contato com a família ocorreu em 20 de junho do ano passado.

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