Três policiais militares são presos no Rio por suspeita de desvio de drogas e armas para facções criminosas
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) efetuou nesta terça-feira (7) a prisão de três policiais militares suspeitos de integrar um esquema criminoso que desviava drogas e armas apreendidas em operações para posterior venda a facções do crime organizado na capital fluminense. A ação foi coordenada por promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ), com o apoio fundamental da Corregedoria da Polícia Militar.
Operação cumpre mandados de prisão e busca em batalhões
As equipes do MPRJ saíram às ruas para cumprir três mandados de prisão preventiva e oito mandados de busca e apreensão, autorizados pela Justiça. As diligências ocorreram em endereços residenciais ligados aos investigados e também dentro dos próprios batalhões da PM onde os policiais atuavam. A Justiça permitiu buscas minuciosas nos armários individuais dos agentes e no setor de serviço reservado, conhecido como P2, das unidades militares.
Durante as operações, os promotores e policiais apreenderam uma quantidade significativa de drogas ilícitas, munição de diversos calibres e aproximadamente R$ 5 mil em dinheiro em espécie. Além disso, foi encontrado um caderno com anotações suspeitas que pode conter informações cruciais para as investigações em andamento.
Identificação dos policiais presos e locais de atuação
Os três policiais militares presos foram identificados como:
- Raphael Nascimento Ribeiro, que servia no 14º Batalhão de Polícia Militar (BPM), localizado em Bangu;
- Ricardo da Silva Ferreira, sargento do 41º BPM, com sede em Irajá;
- Thiago Corrêa da Costa, que atuava no 41º BPM durante o período das investigações e atualmente está lotado no 18º BPM, em Jacarepaguá.
Segundo as denúncias apresentadas pelo MPRJ, os investigadores tiveram acesso a uma série de troca de mensagens entre os policiais, nas quais eles discutiam abertamente sobre o desvio e a comercialização de drogas e armas que haviam sido apreendidas em operações policiais regulares. As conversas revelaram detalhes operacionais do esquema criminoso.
Investigações começaram após operação contra milícia em Nilópolis
As investigações que culminaram nas prisões desta terça-feira tiveram início de forma incidental. Tudo começou quando um dos policiais militares envolvidos foi alvo de um mandado de busca e apreensão durante uma operação contra a milícia em Nilópolis, na Baixada Fluminense. No celular apreendido desse PM, os investigadores encontraram mensagens que tratavam especificamente da venda de uma carga impressionante de 140 quilos de maconha.
Essa descoberta inicial abriu um flanco nas investigações, permitindo que o Gaeco/MPRJ rastreasse as comunicações e identificasse os outros dois policiais como partícipes do mesmo esquema de desvio. As evidências colhidas ao longo dos meses foram suficientes para que a Justiça autorizasse as prisões preventivas e as buscas realizadas nesta semana.
O caso expõe uma grave falha nos controles internos da corporação e levanta questões sobre a infiltração de agentes públicos em redes do crime organizado. O MPRJ e a Corregedoria da PM afirmam que as investigações continuam em andamento para apurar a extensão total do esquema e identificar possíveis outros envolvidos.



