A Justiça Eleitoral condenou, nesta segunda-feira (27), a vereadora de Teresina Tatiana Teixeira Medeiros e outras sete pessoas por crimes relacionados às eleições de 2024. As penas incluem multa mínima de R$ 1 milhão por danos à coletividade. A sentença também determina a perda do mandato eletivo da parlamentar e a proibição de exercer cargos ou funções públicas para todos os condenados.
Esquema de compra de votos
Segundo a investigação, Tatiana liderava um grupo que atuava na compra de votos e utilizava a ONG Instituto Vamos Juntos como estrutura política. Mensagens encontradas em celulares mostravam cobrança de comprovantes de votação e listas com anotações como “pago”, “PIX” e “ok”. A Justiça também apontou movimentações bancárias superiores a R$ 2,1 milhões entre 2022 e 2024, enquanto a renda formal declarada no período foi de pouco mais de R$ 33 mil.
Condenações detalhadas
- Tatiana Medeiros (vereadora pelo PSB): 19 anos, 10 meses e 7 dias de reclusão + 492 dias-multa por organização criminosa, corrupção eleitoral, falsidade ideológica eleitoral, lavagem de dinheiro e peculato-desvio. Presa em 3 de abril de 2025, foi apontada como principal responsável pelo esquema, com campanha financiada por dinheiro ilegal de organização criminosa.
- Alandilson Cardoso Passos (namorado): 16 anos, 8 meses e 11 dias de prisão por organização criminosa, corrupção eleitoral, violação do sigilo do voto, agiotagem e lavagem de dinheiro. Preso desde novembro de 2024, suspeito de envolvimento com tráfico de drogas e de ser líder de facção criminosa. Conversas indicam que ele investiu mais de R$ 1 milhão na campanha com recursos ilícitos.
- Stênio Ferreira Santos (padrasto): 13 anos, 11 meses e 26 dias de prisão por organização criminosa, corrupção eleitoral, violação do sigilo do voto, peculato-desvio, apropriação indébita, agiotagem e lavagem de dinheiro. Atuava como operador financeiro, realizando saques, distribuição de valores e intermediação de transações.
- Maria Odélia de Aguiar Medeiros (mãe): 14 anos, 2 meses e 5 dias de prisão por organização criminosa, corrupção eleitoral, apropriação indébita e lavagem de dinheiro. Articuladora política e coordenadora da ONG Instituto Vamos Juntos, usada para atrair eleitores e captar votos.
- Emanuelly Pinho de Melo (assessora): 7 anos, 9 meses e 26 dias de prisão por organização criminosa e corrupção eleitoral. Cadastrava famílias, intermediada pagamentos por votos e auxiliava na agenda política.
- Bianca dos Santos Teixeira Medeiros (irmã): 7 anos, 9 meses e 26 dias de prisão por organização criminosa e corrupção eleitoral. Intermediária em transações financeiras ilegais.
- Bruna Raquel Lima Sousa: 6 anos, 11 meses e 30 dias de prisão por organização criminosa e corrupção eleitoral. Funcionária da ONG, responsável por cadastro de famílias e acompanhamento de votos.
- Sávio de Carvalho França: 9 anos, 5 meses e 27 dias de prisão por organização criminosa e corrupção eleitoral. Também cadastrava famílias e geria votos.
Lucas de Carvalho Dias Sena, cunhado da vereadora, foi absolvido por falta de provas. Tatiana e Alandilson estão presos desde 3 de abril de 2025, e o período já cumprido será descontado das penas. A defesa afirma que a decisão é injusta e informou que vai recorrer.



