Chef Monique Benoliel relata episódio de antissemitismo em delicatessen do Leblon, no Rio de Janeiro
A renomada chef Monique Benoliel tornou pública, neste domingo, 5 de abril de 2026, uma experiência perturbadora de discriminação religiosa. O incidente ocorreu durante uma visita de rotina à Delly Gil, uma delicatessen localizada na Cobal do Leblon, na Zona Sul do Rio de Janeiro, estabelecimento que ela frequentava há vários anos.
O episódio discriminatório durante a busca por produtos de Pessach
De acordo com o relato detalhado da chef, a situação começou quando ela questionou a ausência de produtos típicos do Pessach, a celebração judaica que marca a libertação do povo hebreu do Egito. Monique Benoliel perguntou especificamente sobre a falta do matzá, o pão ázimo tradicionalmente consumido durante o período.
A resposta do proprietário do estabelecimento, segundo a narrativa da chef, foi imediata e carregada de hostilidade. Em voz alta e de maneira confrontacional, o comerciante teria declarado que "não comprava mais produtos judaicos, que estava cansado dos judeus e que não venderia mais para esse público".
Monique Benoliel descreveu ter ficado em estado de choque diante da declaração explícita de preconceito. Em meio à consternação, ela questionou se deveria deixar de frequentar o local, ao que o proprietário respondeu afirmativamente. A chef então abandonou suas compras e deixou o estabelecimento profundamente abalada pela experiência.
Repercussão imediata e ação judicial planejada
O caso rapidamente ganhou ampla repercussão nas redes sociais e mobilizou diversas entidades representativas da comunidade judaica no Brasil. A chef anunciou que um registro de ocorrência na Polícia Civil será formalizado nesta segunda-feira, 6 de abril, dando início ao processo legal para apurar o incidente como possível crime de discriminação religiosa.
Monique Benoliel, conhecida por seu trabalho na gastronomia e por suas raízes judaicas, expressou publicamente sua decepção com o episódio, especialmente considerando seu histórico de cliente fiel da delicatessen ao longo de anos.
Posicionamento público da Delly Gil após a polêmica
Diante da crescente comoção pública, a Delly Gil divulgou uma nota oficial na tarde deste domingo. O texto começa reconhecendo que "nos últimos dias, fomos informados de um relato envolvendo um atendimento em nossa loja, que gerou desconforto e preocupação".
A nota continua: "Queremos esclarecer, de forma sincera, que não compactuamos com qualquer forma de desrespeito ou preconceito. Se alguma fala ou situação foi interpretada de maneira inadequada, pedimos desculpas. Não é essa a forma como conduzimos nossa relação com clientes ao longo de todos esses anos".
O estabelecimento, que se descreve como "uma empresa familiar, construída com base no respeito, no cuidado e na convivência com diferentes pessoas e histórias", destacou ainda seu histórico de relacionamento com a comunidade judaica. A nota finaliza afirmando que a loja "está atenta ao ocorrido e segue à disposição para o diálogo, com responsabilidade e respeito".
Contexto social e legal do caso
Este incidente ocorre em um momento de crescente preocupação com casos de antissemitismo no Brasil e no mundo. A legislação brasileira tipifica como crime a discriminação por motivos religiosos, com penas que podem incluir multa e prisão.
Especialistas em direitos humanos destacam a importância de denúncias como a de Monique Benoliel para combater a normalização de discursos discriminatórios no comércio e na sociedade em geral. O caso também levanta questões sobre a responsabilidade social de estabelecimentos comerciais em promover ambientes inclusivos e respeitosos para todos os clientes.
A comunidade gastronômica do Rio de Janeiro tem se manifestado em apoio à chef, enquanto aguarda os desdobramentos legais do caso e as possíveis medidas de reparação por parte do estabelecimento envolvido.



