Suspeito de estupro coletivo de crianças diz que crime foi 'por zoeira'
Suspeito diz que estupro foi 'por zoeira' em SP

Um homem de 21 anos, investigado por participação no estupro coletivo de duas crianças na Zona Leste de São Paulo, afirmou à polícia que o crime ocorreu “por zoeira”. A declaração foi dada nesta terça-feira (5), segundo o delegado Júlio Geraldo, responsável pelo caso no 63º Distrito Policial.

De acordo com a investigação, Alessandro Martins dos Santos confessou envolvimento e admitiu ter gravado o vídeo dos abusos contra dois meninos, de 7 e 10 anos. Ele deve responder por estupro de vulnerável, corrupção de menores e compartilhamento de pornografia infantil.

Depoimento do suspeito

Em depoimento, o suspeito disse que o crime não foi planejado. Segundo ele, o grupo — formado por ele e quatro adolescentes — convidou inicialmente as vítimas para empinar pipa, mas decidiu cometer os abusos. Ainda conforme o delegado, Alessandro relatou que uma das crianças estava suja, e o grupo teria sugerido passar na casa de um dos adolescentes para banho e para pegar linha de pipa. “A ideia era passar em casa para pegar linha de pipa e tomar banho. Essa história foi confirmada por todos, inclusive pelas vítimas”, disse.

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O delegado também afirmou que o suspeito não demonstrou arrependimento, apenas preocupação com as consequências legais. “Estamos trabalhando com todas as linhas de investigação, mas no momento não temos indicação de que houve outros crimes parecidos, situações anteriores. Houve uma brincadeira de péssimo gosto e evoluiu para um crime hediondo”, afirmou Júlio Geraldo.

Envolvimento de adolescentes

Além do adulto, quatro adolescentes, entre 14 e 16 anos, foram apreendidos. A polícia aponta que eles conheciam as vítimas e usaram essa relação de confiança para atraí-las. “Eles eram vizinhos e as crianças tinham confiança neles. Chamaram para soltar pipa. Elas foram atraídas para esse imóvel porque falaram: ‘vamos soltar pipa, aqui tem uma linha’”, afirmou a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk.

Investigação e fuga

O crime ocorreu em 21 de abril, mas só foi investigado três dias depois, quando familiares tiveram acesso aos vídeos que circulavam nas redes sociais. O suspeito foi preso pela Polícia Militar em Brejões, após fugir de São Paulo alegando ameaças. A Polícia Civil investiga a origem dessas intimidações e também quem compartilhou os vídeos.

Segundo a delegada, as famílias chegaram a sofrer pressão para não denunciar. “As vítimas estavam sendo pressionadas para não registrarem boletim de ocorrência na delegacia. Embora o material estivesse circulando na internet, a família não havia registrado queixa”, disse. “Teve gente que saiu com a roupa do corpo. Foi uma dificuldade encontrar essas vítimas. Elas vieram à delegacia, foram ouvidas e as crianças submetidas a exames”, completou.

Acompanhamento das vítimas

As vítimas recebem acompanhamento médico e psicológico, com apoio do Conselho Tutelar e da Prefeitura. O local onde estão foi mantido em sigilo, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente.

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