Profissional de saúde sofre violência física durante atendimento em unidade de emergência
Uma médica pediatra foi vítima de grave agressão física na madrugada desta quarta-feira (4) enquanto realizava atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da Barra, localizada em Macaé, região Norte Fluminense do Rio de Janeiro. A profissional Amanda Gil relatou que o episódio violento ocorreu por volta das 3h40, momento em que ela retornava ao consultório para reavaliar um paciente de 12 anos que permanecia em observação médica.
Sequência dos acontecimentos que levaram à violência
Segundo o relato detalhado da pediatra, ela estava acessando o prontuário eletrônico para verificar o histórico e condutas adotadas quando a mãe do paciente começou a se manifestar de maneira exaltada. A responsável alegava que o filho continuava com dor, mesmo após ter recebido medicação adequada. O prontuário registrava diagnóstico de cefaleia, administração de duas medicações analgésicas, antibiótico e permanência em observação para controle do quadro clínico.
A médica explicou à mãe que poderia administrar uma nova medicação para dor e solicitar autorização ao hospital de referência para realização de tomografia, procedimento que depende de comunicação prévia entre as unidades de saúde. Nesse momento, um funcionário comentou que outro paciente seria encaminhado para realizar exame semelhante.
Escalada da tensão e agressão física
Ao ouvir essa informação, a mãe do paciente acusou a médica de estar mentindo e passou a proferir ofensas verbais. Diante da escalada da discussão, a pediatra informou que chamaria outra colega para dar continuidade ao atendimento, mas a responsável teria se colocado à frente da profissional, impedindo sua saída do consultório.
A situação evoluiu para agressão física com mordidas, socos e empurrões, deixando marcas visíveis no rosto e braço esquerdo da médica. A violência só foi controlada após intervenção de outras pessoas presentes na unidade, que conseguiram separar as duas mulheres.
Consequências imediatas e medidas tomadas
Um Boletim de Ocorrência foi registrado e a médica seguiu para o Instituto Médico Legal (IML), onde realizou exame de corpo de delito para documentar as lesões sofridas. Imagens divulgadas mostram claramente as marcas da agressão no rosto da profissional, evidenciando a gravidade da violência ocorrida dentro do ambiente de trabalho.
De acordo com informações apuradas, a UPA da Barra não possui câmeras de segurança nem apoio fixo de guardas no local, o que dificulta a prevenção e registro desse tipo de incidente. A direção da unidade ainda não se pronunciou oficialmente sobre o caso.
Repercussões institucionais e debate sobre segurança
A Prefeitura de Macaé informou que recebeu a notificação sobre o caso, procedeu com os protocolos estabelecidos, e a servidora foi encaminhada para registro do Boletim de Ocorrência, tendo recebido suporte por parte da secretaria municipal. Quanto ao processo que trata da segurança nas unidades de saúde, a administração municipal afirmou que está em andamento e aguarda os trâmites sequenciais.
O episódio reacende o debate urgente sobre a segurança de profissionais de saúde que atuam em unidades de urgência e emergência, especialmente durante plantões noturnos quando há menor presença de pessoal de apoio. Esta não é a primeira vez que casos de violência contra profissionais da saúde são registrados no país, levantando questões sobre medidas preventivas e estruturas de proteção necessárias.
O g1 tentou contato com a mãe do paciente de 12 anos, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O caso segue sob investigação das autoridades competentes, enquanto a categoria médica manifesta preocupação com as condições de trabalho em unidades de saúde pública.



