Médico mata dois colegas a tiros em Barueri após briga em restaurante
Médico mata dois colegas a tiros em restaurante de Barueri

A Polícia Civil de São Paulo investiga um duplo homicídio que chocou a região de Alphaville, em Barueri, na Grande São Paulo. Na sexta-feira (16), um médico abriu fogo e matou dois colegas na frente de um restaurante. O crime foi registrado por câmeras de segurança e o atirador foi preso em flagrante.

Detalhes do crime em Alphaville

De acordo com as investigações, os médicos Luís Roberto Pellegrini Gomes, de 43 anos, e Vinicius dos Santos Oliveira, de 35 anos, estavam em um restaurante uruguaio quando foram abordados por Carlos Alberto Azevedo Filho, também médico. Uma discussão começou na mesa e rapidamente escalou para uma agressão física, com troca de socos. Funcionários do local intervieram para separar a briga.

Após serem convidados a se retirar do estabelecimento pela Guarda Municipal, que havia sido acionada, o cenário se tornou trágico do lado de fora. Enquanto as vítimas se afastavam, Carlos Alberto pegou uma arma de dentro de uma bolsa – supostamente entregue por uma mulher – e efetuou dezenas de tiros contra os dois colegas.

Luís Roberto foi atingido por oito projéteis, enquanto Vinicius levou dois tiros. Apesar de socorridos, ambos não resistiram aos ferimentos e morreram no pronto-socorro. O delegado Andreas Schiffmann destacou a rapidez da ação, que durou entre 15 e 20 segundos, e a fúria do atirador, que "praticamente descarregou a arma".

Quem eram as vítimas e o agressor?

As duas vítimas eram profissionais da saúde dedicados ao serviço público. Luís Roberto Pellegrini Gomes trabalhava como cardiologista em um hospital municipal de Barueri. Ele foi velado e enterrado em Rafard, interior de São Paulo.

Vinicius dos Santos Oliveira atuava em unidades de saúde de Cotia desde 2019, incluindo UBSs e o Pronto Atendimento de Caucaia do Alto. Reconhecido pelo comprometimento, ele também trabalhou no hospital de campanha durante a pandemia de Covid-19. Deixou esposa e um filho de um ano e meio. Seu velório ocorreu em Osasco.

O autor dos disparos, Carlos Alberto Azevedo Filho, já tinha passagem pela polícia. Ele foi preso em 2025 pelos crimes de racismo e agressão em Aracaju, Sergipe. A polícia informou que ele possui registro de Colecionador, Atirador e Caçador (CAC), mas não tinha licença para portar a arma utilizada no crime, uma pistola 9 mm.

Motivação e próximos passos da investigação

Segundo o delegado Schiffmann, o motivo do crime está relacionado a desentendimentos profissionais. Carlos Alberto e Luís Roberto eram sócios em empresas do setor de gestão hospitalar e mantinham uma rixa antiga por causa de contratos de licitação. Vinicius era funcionário de Luís Roberto. Familiares relataram que já havia ameaças anteriores de ambas as partes.

"Os familiares relataram que já havia essa rixa e ameaças de ambas as partes. E eles se encontraram naquele restaurante e os ânimos se excederam", explicou o delegado.

O atirador foi preso em flagrante no local e, após audiência de custódia, teve a prisão convertida em preventiva. Ele foi encaminhado para a cadeia pública de Carapicuíba. A polícia apreendeu a arma do crime, cápsulas deflagradas, uma bolsa, diversos documentos e R$ 16 mil em dinheiro, que passarão por perícia.

Novos depoimentos serão colhidos, inclusive para esclarecer o papel da mulher que, segundo testemunhas, entregou a bolsa com a arma ao médico. A visão da polícia é de que Carlos Alberto é uma "pessoa perigosa, que não mede consequências" e, por isso, precisa permanecer encarcerado.