Jovem baleado em MG por engano após sinal de facção rival nas redes
A Polícia Civil de Minas Gerais concluiu a investigação sobre a tentativa de homicídio ocorrida em novembro de 2025 no bairro Presidente Roosevelt, em Uberlândia. O caso envolve um jovem de 21 anos que foi baleado na saída de uma boate, após ser confundido com um membro de facção criminosa rival. Segundo a polícia, o ataque foi motivado por um desentendimento entre facções, e os três indiciados, de 19, 20 e 23 anos, receberam autorização de um líder para executar a vítima. O jovem sobreviveu e nega qualquer vínculo com facções.
Detalhes da investigação
Imagens de câmeras de segurança mostram que um dos suspeitos fez uma ligação telefônica para pedir autorização ao chefe da organização criminosa antes de efetuar os disparos. Em seguida, outro homem aparece atirando contra a vítima. A Polícia Civil informou que o trio confessou integrar uma facção criminosa de São Paulo. Em depoimento, eles relataram que viram uma foto do jovem nas redes sociais fazendo um gesto com a mão associado a uma facção do Rio de Janeiro, o que foi interpretado como ligação com o grupo rival. A conclusão da investigação foi divulgada na última sexta-feira (24).
Ponto a ponto do vídeo
Por volta das 4h30, as imagens mostram um grupo de pessoas próximo à praça João Jorge Cury. Dois suspeitos e o jovem de 21 anos, acompanhado de dois amigos, aparecem na cena. Instantes depois, um terceiro suspeito chega com um telefone na mão e conversa com os outros dois. Em seguida, o homem armado aponta a arma para o jovem e dispara duas vezes. Após os tiros, os três suspeitos fogem a pé. O jovem cai na via e fica no chão, enquanto os amigos correm para ajudá-lo. Uma testemunha aparece sentada em um banco, observando a cena à distância.
Em depoimento, a vítima contou que um dos autores insistia que ela fazia parte de uma facção rival e incentivava o homem armado a atirar. Mesmo após negar, depois de uma autorização repassada por telefone, foram feitos vários disparos. O jovem foi atingido por dois tiros e levado às pressas para a Unidade de Atendimento Integrado (UAI) do bairro, onde recebeu atendimento médico e sobreviveu.
Prisão dos envolvidos
Após a ocorrência, a Polícia Civil identificou os três suspeitos, cujos nomes não foram divulgados. No dia 10 de dezembro de 2025, dois deles foram presos em uma casa no bairro onde havia venda de drogas. No local, foram apreendidas porções de cocaína e maconha, celulares, máquinas de cartão e dinheiro. Eles foram levados para o Presídio Jacy de Assis, em Uberlândia, e permaneceram à disposição da Justiça. A corporação pediu a prisão preventiva dos três pela tentativa de homicídio, com parecer favorável do Ministério Público e aceito pelo Judiciário. O terceiro investigado, que ainda não havia sido localizado, foi preso em flagrante por lesão corporal no contexto de violência doméstica e por posse ilegal de arma de fogo, sendo levado para o mesmo presídio. Eles foram indiciados por homicídio tentado qualificado, tráfico de drogas, associação criminosa e posse ilegal de arma de fogo.
O que é o tribunal do crime?
De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), os tribunais do crime são um modelo paralelo de julgamento para punição social, onde membros de facções criminosas "julgam" pessoas e dão sentenças. O modus operandi inclui extermínio planejado, violência extrema com torturas e espancamentos, disciplinamento dentro de prisões e nas comunidades, terror social e poder paralelo em localidades dominadas pela facção.



