Polícia desmascara brasileiro foragido no Paraguai por 30 anos após feminicídio
Foragido brasileiro é preso no Paraguai após 30 anos

Após mais de 30 anos foragido, o brasileiro Marcos Campinha Panissa foi preso no Paraguai na quarta-feira (15/4), vivendo sob identidade falsa. Condenado por matar a ex-mulher Fernanda Estruzani com 72 facadas em 1989, ele construiu uma nova vida como José Carlos Vieira, casou-se, teve uma filha e abriu negócios. A prisão ocorreu em San Lorenzo, na região metropolitana de Assunção, durante operação conjunta da Polícia Federal e da Secretaria Nacional Antidrogas do Paraguai (Senad).

O crime e a fuga

Fernanda Estruzani, 21 anos, foi morta em 6 de agosto de 1989, em Londrina (PR). Marcos, então com 23 anos, não aceitava o fim do relacionamento. Após invadir o apartamento com uma cópia da chave, desferiu 72 facadas enquanto a vítima dormia. O corpo foi encontrado no dia seguinte. Marcos confessou o crime, mas respondeu em liberdade.

Em 1991, foi condenado a 20 anos e 6 meses, mas recorreu e obteve novo júri em 1992, com pena reduzida para 9 anos. O Tribunal de Justiça do Paraná anulou o julgamento em 1994 por irregularidades. Antes do terceiro júri, em 1995, ele fugiu.

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Vida no Paraguai

Marcos entrou no Paraguai com documentos falsos há pelo menos duas décadas. Casou-se em 2001 com uma paraguaia, teve uma filha e abriu uma loja de ferragens em Concepción. Vizinhos e familiares o conheciam como José Carlos Vieira. A polícia acredita que a esposa e a filha desconheciam seu passado.

Investigação e prisão

Em 2008, Marcos foi condenado à revelia a 19 anos de prisão, mas nunca foi localizado. A Polícia Federal recebeu informações de que ele estaria no Paraguai e acionou a Senad. Após monitoramento, a operação Memento Mei foi montada. Marcos foi abordado ao sair de um comércio e, ao ouvir seu nome verdadeiro, ficou paralisado.

Ele foi expulso do Paraguai por irregularidade migratória e entregue à Polícia Federal na Ponte Internacional da Amizade. Para o Ministério Público do Paraná, a prisão mostra que o sistema de Justiça não esquece as vítimas. A defesa pretende recorrer para reduzir a pena.

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