Cliente é denunciada por racismo após ofender atendente em loja de Florianópolis
Denúncia por racismo em loja de Florianópolis: cliente ofende atendente

Cliente é denunciada por racismo após ofender atendente em loja de Florianópolis

Uma mulher foi formalmente denunciada pelo Ministério Público de Santa Catarina nesta quinta-feira, 5 de setembro, pela prática de crime de racismo contra um atendente de loja em Florianópolis. O órgão ministerial também solicitou à Justiça a fixação de um valor mínimo de R$ 5 mil para reparação dos danos morais sofridos pela vítima, um jovem de 18 anos.

O crime flagrado pelas câmeras

O incidente ocorreu no dia 28 de janeiro deste ano, no bairro Cachoeira do Bom Jesus, localizado na região Norte da Ilha de Santa Catarina. Toda a cena foi capturada pelas câmeras de monitoramento da loja, onde é possível ouvir claramente as ofensas racistas proferidas pela cliente identificada como Cristiane Kellen Nunes Lopes contra o atendente Dennys Evangelista da Silva.

Nas imagens, a mulher dirige ao jovem as seguintes palavras: "nego quando não caga na entrada, caga na saída. Pelo amor de Deus. Por isso que eu não gosto de nego". As declarações ocorreram após Dennys explicar que o técnico responsável pelo serviço desejado não se encontrava no local naquele momento.

Reação da vítima e detalhes do atendimento

Dennys Evangelista da Silva, de apenas 18 anos, relatou que ficou em estado de choque imediato após as ofensas. "Na hora, eu fiquei em choque. Só caiu a ficha do que realmente tinha acontecido quando eu cheguei em casa, que daí eu chorei um monte, me senti muito mal", desabafou o jovem.

Segundo seu relato, a cliente desejava trocar a tela de um celular, mas como o técnico especializado havia saído, ele explicou a situação e indicou outro estabelecimento que poderia realizar o serviço. "Quando falei que o técnico tinha saído, expliquei para ela por que ele tinha saído, sendo que não era minha obrigação explicar, e ela ficou braba porque achou que não estava com vontade de trabalhar", contou Dennys.

Base legal da denúncia

O Ministério Público fundamentou a denúncia no artigo 20 da Lei nº 7.716/1989, que trata especificamente de condutas de discriminação ou incitação ao preconceito por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Na peça acusatória, consta que a mulher agiu "de forma livre e consciente, ciente da reprovabilidade e ilicitude de seus atos, praticou e incitou o preconceito de raça".

A legislação prevê para esse tipo de crime uma pena de reclusão de um a três anos, além de multa. Além da ação penal, o MP catarinense requereu a fixação de reparação civil mínima de R$ 5 mil em favor da vítima.

Posicionamento da defesa e impacto emocional

O g1 Santa Catarina tentou contato com a denunciada, Cristiane Kellen Nunes Lopes, mas não obteve retorno até o fechamento desta reportagem. Enquanto isso, Dennys encontrou força na solidariedade recebida. "Só me dá mais força para continuar", afirmou o jovem, demonstrando resiliência diante da situação traumática.

O caso ganhou ampla repercussão nas redes sociais e na mídia local, reacendendo o debate sobre o combate ao racismo estrutural no ambiente comercial e nas relações cotidianas. A expectativa agora é pelo andamento processual na Justiça catarinense, que deverá analisar as provas audiovisuais e os depoimentos colhidos.