Adolescente acusado de liderar estupro coletivo em Copacabana é apreendido pela polícia
A Polícia Civil do Rio de Janeiro realizou nesta sexta-feira (6) a apreensão do adolescente de 17 anos acusado de participação no estupro coletivo a uma adolescente da mesma idade, ocorrido em janeiro no bairro de Copacabana, zona sul carioca. Para o delegado titular da 12ª DP (Copacabana), Ângelo Lages, que liderou a investigação, o adolescente foi "a mente por trás" do crime.
Detalhes da apreensão e envolvimento do adolescente
O adolescente se entregou na 54ª DP (Belford Roxo) no início da tarde desta sexta-feira. Ele tinha um relacionamento com a vítima, segundo depoimentos, e foi o responsável por atraí-la ao apartamento onde ocorreu o suposto estupro. O mandado de internação havia sido expedido na tarde de quinta-feira (5) pelo Tribunal de Justiça fluminense.
A defesa do adolescente não foi encontrada, e a polícia não informou se ele constituiu representante legal. Com esta apreensão, todos os cinco acusados de envolvimento no crime estão agora presos.
Contexto dos outros acusados e defesas apresentadas
Os outros quatro acusados já haviam sido presos ou se entregaram anteriormente:
- Mattheus Veríssimo Zoel Martins e João Gabriel Xavier Bertho foram presos na terça-feira (3)
- Vitor Hugo Oliveira Simonin e Bruno Felipe dos Santos Allegretti se entregaram na quarta-feira (4)
As defesas dos acusados apresentaram diferentes versões:
- A defesa de Vitor Hugo, representada pelo advogado Ângelo Máximo, afirmou que ele nega participação no estupro, apesar de estar no local
- A defesa de João Gabriel, representada pelo advogado Rafael de Piro, também negou participação e questionou falas da polícia sobre lesões da vítima
- As defesas de Mattheus, Bruno Felipe e do adolescente apreendido não foram encontradas para comentários
Os acusados maiores de idade responderão pelo crime de estupro, enquanto o adolescente responderá por ato infracional análogo ao mesmo crime.
Tensões entre Polícia Civil e Tribunal de Justiça
O pedido de internação do adolescente gerou embates entre o Tribunal de Justiça do Rio e a Polícia Civil na quinta-feira. O delegado Ângelo Lages afirmara na quarta que a apreensão do adolescente "só dependia da Justiça" e que a espera atrapalhava a investigação de novos supostos crimes.
O delegado expressou preocupação com a possibilidade de que o adolescente tivesse apagado dados do celular. Durante a semana em que o caso repercutiu nacionalmente, houve relatos de que ele fez ameaças e chantagens a familiares da vítima.
O TJ se pronunciou em comunicado na quinta, afirmando que houve "sucessivos erros" da Polícia Civil e tentativas de burlar o "princípio do juiz natural". Segundo o tribunal, esses erros dariam margem para a nulidade de todo o processo, incluindo inquéritos para a vara errada e pedidos de mandado durante plantão noturno.
A Polícia Civil negou erros de procedimento e afirmou que cabe ao próprio sistema do tribunal realizar a devida distribuição e tramitação dos processos.
Investigação de possível segundo caso com mesma dinâmica
A Polícia Civil investiga um outro suposto caso de estupro coletivo que teria ocorrido em 2023, também com suposta participação e liderança do mesmo adolescente. Tanto o adolescente quanto a vítima teriam 14 anos à época, e a dinâmica do suposto crime teria sido semelhante ao primeiro caso relatado.
Segundo o delegado, o adolescente teria atraído a jovem, com quem mantinha relacionamento, para um apartamento onde já havia outros suspeitos. Neste inquérito, Mattheus Veríssimo Zoel Martins também é mencionado como participante.
O crime teria sido gravado, conforme depoimento da mãe da vítima. A adolescente só revelou o caso à mãe na segunda-feira (2), diante da repercussão nacional do primeiro caso.
A investigação continua para apurar todos os detalhes dos dois casos e garantir que a justiça seja aplicada a todos os envolvidos.
